Educar para a democracia

Colégio FAAP

10 Agosto 2018 | 09h30

Sonho anelado, discussão superada, construção muito difícil, vida ameaçada. Tudo isso nos vem à mente quando pensamos na democracia que, apesar de tudo, ainda permanece como a forma de governo capaz de nos afastar da barbárie que sonda estes horizontes milenares.

Nos quatro cantos do mundo, o sonho da democracia é violentado ou seriamente ameaçado. Até mesmo naqueles países que se querem berços da democracia, aventuras populistas abalam esse tão caro projeto. E nós não somos exceção.

Como educar é, sempre, crer na capacidade humana de aprender com os seus erros, busquei em meus parcos baús do conhecimento matéria-prima para alicerçar minhas esperanças. Lá dos anos 40 do século passado, resgatei uma pequena e primorosa obra: Da Liberdade Humana, de Jacques Barzun.

Nesse trabalho, nascido dos escombros da Segunda Grande Guerra, o autor discute os riscos da democracia, reflete sobre o incalculável preço pago, nesse período, para mantê-la, e trata, com muita propriedade, dos mecanismos de sua gestação.

Segundo Barzun, a democracia é produto de uma cultura lentamente construída e resultado de um processo civilizatório, ou seja, é consequência de um educar o cidadão para a democracia.

Se tais conclusões resvalam pela obviedade ofensiva, assusta como elas são olvidadas, alarma o quanto não nos damos conta que esse educar para a democracia passa longe da verborragia vazia e irritante das aulas de civismo; muito menos, será produto de pregações ideológicas infectadas de proselitismo ou, até mesmo, da sanha de legisladores utópicos que imaginam mudar a realidade com a letra natimorta.

A criação da cultura democrática nasce no respeito ao diálogo, viceja na construção da autoridade legitimada pelo reconhecimento dos comandados e se consolida numa cultura de profundo respeito aos direitos humanos.

Cabe à escola, no seu cotidiano, viver os princípios da democracia e fazer desses pressupostos guias concretos e constantes de suas atitudes. Desvios, contradições e incoerências fragilizam a construção democrática, sobretudo, porque sua concretização sempre colide com escusos interesses que minam tão sutil arquitetura.

O incremento dessa cultura democrática é um desafio que nos obriga a repensar, constantemente, nossas vidas e, portanto, nossas escolas.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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