Educar em tempos de cólera

Colégio FAAP

01 Junho 2018 | 10h00

Se educar é preparar para o imprevisível, nada melhor do que aprender quando o imprevisível acontece.

Esta crise que se desencadeou com a greve dos caminhoneiros, como todas as situações socialmente agudas, revelou, nas entranhas de nossa cultura, um traço que se acentua perigosamente, o da polarização das posturas.

Nesse tender para extremos, nada mais pernicioso do que o negativismo. Cultivar a desesperança é a própria negação da essência do educar. Educar deve ser um preito concreto e permanente da esperança de se poder melhorar o futuro pelas novas gerações, ou seja, de crença na humanidade.

Nós, brasileiros, ficamos reféns de uma neurose pendular que nos faz gravitar entre dois polos opostos, de um ufanismo infantil a um negativismo corrosivo, posturas que jamais podem contaminar qualquer educador.

Cabe ao educador mostrar ao educando como as mais profundas crises instigaram a criatividade e o gênio humanos. Obriga a quem educa buscar luz em tempos de trevas e não se trancar na ignorância de extremismos travestidos de engajamento. Ideologias que excluem o diálogo e anulam horizontes são manifestação de interesses escusos a serviço de forças inconfessáveis.

Considero inadmissível, após os desastres contra a humanidade que os radicais patrocinaram na contemporaneidade, que o espaço pedagógico ainda seja utilizado para insinuar saídas extremadas, pregar extremos que jamais conduziram a soluções duradouras e sem altos custos humanos.

Buscar saídas, incentivar e apoiar quaisquer iniciativas que promovam a crença de que o homem seja capaz de encontrar soluções para os mais intrincados e aflitivos problemas constituem a mais fundamental missão do educador. Todo o resto é consequência disto.

Quando o educador se transforma em arauto do pessimismo ele mata a essência de sua missão, passa a operar a negação de tudo o que dá à educação seu caráter redentor.

 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br