Educação e água benta

Colégio FAAP

23 de agosto de 2019 | 14h57

Comecei a semana ouvindo de um educador uma frase significativa: “educação é como água benta, todo mundo acha que pode botar a mão.”

O comentário referia-se a um artigo de um renomado jornalista opinando sobre as mudanças curriculares em andamento, comparando os conteúdos escolares de antigamente e sugerindo novos.

Efetivamente, se formos nos debruçar com cuidado sobre os conteúdos hoje ministrados, sobretudo no ensino médio, nos depararemos com excessos que assoberbam e assombram os estudantes. Ferrenhamente defendidos pelos “cartórios” de cada ciência como indispensáveis, tais volumes de informações são justificados pelos editais dos grandes vestibulares que relutam, em sua maioria, em ter uma feição mais atual.

E é, assim, que se perpetua a “síndrome do cumprir o programa apesar dos alunos”, que gera uma oficina de fracassos, frustrações e, o que é muito pior, desestimula o conhecimento científico pela impossibilidade do educando em dominar a lógica das ciências, objetivo supremo da educação.

A indignação do mestre que inspirou o título deste post nasceu de uma afirmação que ponderava a importância de conhecimentos práticos como trocar um pneu, em contrapartida a “conteúdos teóricos que jamais serão relembrados”.

Aqui cabem algumas considerações.

De fato, na Era da Informação, não será o cumprimento de programas infindáveis que facilitará a iniciação científica, mas uma degustação didática delicada que permitirá, quando necessário, o aluno buscar, com propriedade, a informação científica.

Por outro lado, com a vertiginosa velocidade da tecnologia, se o nosso articulista tivesse dominado a técnica de trocar pneus, teria perdido um precioso tempo, uma vez que, os carros mais modernos, não têm estepes…

No encalço de currículos mais atraentes e eficazes, muitas escolas têm buscado caminhos que, evitando o purismo excludente da academia, façam da iniciação científica um processo mais atraente, pois mais próximo da realidade do educando.

Por fim, sem fé não há porque recorrer à santa água, por outro lado, é sempre bom que se fale em educação: mesmo de forma canhestra, pensar a educação é ponto essencial da construção civilizatória.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

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