Educação domiciliar, a pandemia anulou dúvidas!

Colégio FAAP

25 de junho de 2021 | 11h38

Uma das mazelas mais prejudiciais das crises é, após o alívio de seus términos, não fazermos um inventário reflexivo de nossas experiências para tirarmos algum proveito delas.

Enquanto educador, mais do que ninguém, obrigado a aprender com acertos e erros, devemos extrair algo que os torne aproveitáveis, além da graça de sobreviver.

Na metaleitura das propostas de renovação da educação no Brasil há que se encarar, sob a luz das atuais experiências, a legalização da educação domiciliar. Mesmo que descontextualizada, tal proposta é descabida, pois anacrônica desconsiderando alguns dos mais elementares  fundamentos da moderna educação: tentar proteger crianças das “mazelas da sociedade” sem formar verdadeiros alienígenas.

Numa época que lamentamos a alienação, construtora de governos autocráticos, de inconsciência da vida civilizada, isolar o educando em “cordões sanitários educacionais” será condenar gerações a formar grandes massas de manobra!

Voltemos a mais um dado comprobatório das consequências nefastas e anacrônicas da educação domiciliar, a atrofia humana do isolacionismo social. Dentre os traços genéticos da humanidade, a sociabilidade é dos mais marcantes; isolar um ser humano é colocar em risco seu equilíbrio psicológico. Inúmeros experimentos comprovaram, à exaustão, tal fato. Cabal lição demonstrada pela pandemia!

No mesmo sentido, minha experiência de mais de trinta anos no curso de graduação em administração mostrou a tendência irreversível do trabalho em equipe, da sociabilidade e da empatia nesse grupo de trabalho como fatores essenciais de empregabilidade. Se quisermos ignorar todos os irretorquíveis argumentos já expostos como dispensáveis, seguramente, a questão da sobrevivência teria que ser levada em conta pelas famílias que optarem por tal caminho educacional.

Outro argumento utilizado para justificar tal opção seria o do direito de liberdade de escolha da família quanto à forma de educar seus filhos. Considerando as novas conformações da família e a consequente disponibilidade dos pais, qual seria a qualidade pedagógica dessa opção considerando a disponibilidade de tempo? A qualificação dos educadores, uma vez que, mesmo os “terceirizados” ,não ofereciam a diversidade indispensável ao educando?!

Justificativas de conteúdo ideológico, também aventadas como argumentos favoráveis à tese em questão, são a síntese amplificada de todas as consequências nefastas dessa opção.

O direito à liberdade de escolha da família em como educar seus filhos jamais poderia ignorar caminhos prejudiciais com comprometimentos irreversíveis no educando!

 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

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