Dissertar … Argumentar … Vamos desvendar tais enigmas?

Dissertar … Argumentar … Vamos desvendar tais enigmas?

Colégio FAAP

23 Março 2016 | 11h28

Graziela Bonato Lião é Professora de Língua Portuguesa do Colégio FAAP – SP

Graziela Bonato Lião é Professora de Língua Portuguesa do Colégio FAAP – SP

Num rápido retrospecto, podemos dizer que o século XX, tanto no seu início, quanto em sua fase final, caracterizou-se por profunda transformação nos estudos da linguagem. De uma concepção arraigada no historicismo, passou para uma análise estrutural e daí para a consideração do texto, do discurso, da língua em uso (1). Hoje, não há como compreender a Produção Textual sem entender as transformações ocorridas nos estudos da linguagem.

A partir de Grice (1975), um filósofo da linguagem, podemos especificar alguns itens inerentes à criação textual: Quantidade: escreva só o necessário; Qualidade: escreva o que é importante e só aquilo que domina; Modo: seja claro, objetivo, conciso; Relação: seja pertinente, relevante.

Tais máximas nos fazem acreditar que todo o conhecimento adquirido na sala de aula só se justifica quando o aluno, objeto do ensino-aprendizagem, apresenta interesse, curiosidade, e coloca em prática, no texto, o seu repertório, o seu conhecimento de mundo. E alia tudo isto ao esforço individual da leitura diária que, com certeza, resultará na inferência de ideias, na verificação e na seleção de informações necessárias para a construção do texto.

O texto, desta maneira, passa a ser entendido como o produto de uma sociedade, de uma cultura, de um tempo, de um meio em que se vive. Nele deixaremos as marcas da nossa vida cultural, social, política e econômica por meio da reflexão, uma condição de ser social. E esta condição se dá por meio da língua. A língua, portanto, é reflexo da sociedade.

Dissertar, então, torna-se “palpável” quando é prática diária. Quando a argumentação, a  análise, a defesa de ideias, o fazer valer a sua opinião entre amigos, na escola, em casa, acontecem.

Por fim, entenda: “saber português” não é decorar regras e normas, mas conhecer a língua para ampliar sua capacidade comunicativa na sociedade.

 (1) CINTRA, Anna Maria Marques e PANTALEONI, Nílvia. Do Estruturalismo à Linguística Textual. (2015)

 

Graziela Bonato Lião é Professora de Língua Portuguesa do Colégio FAAP – SP.
Formada em Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo, hoje cursa Pós-graduação, também em Língua Portuguesa, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e é Mamãe do Pedro.