Corredores que se esvaziam, memórias que transbordam

Corredores que se esvaziam, memórias que transbordam

Colégio FAAP

05 Janeiro 2017 | 11h30

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Quando a “síndrome do ninho vazio” se multiplica, centenas de vezes, temos o cenário de uma escola vazia de seus principais protagonistas: os alunos.

Poucas cenas são mais melancólicas do que o contraste da alegria dos alunos saindo para as férias, com nossa tristeza em contemplar as salas vazias de vida.

Para os de fora, pode parecer estranha esta afirmação do educador, quem da mesma forma se  prepara para suas férias. Sem dúvida, na educação, temos uma das mais desgastantes profissões, mas que só alimenta os profundamente vocacionados, aqueles que fizeram do educar uma paixão, um modo de vida. Aqueles que não sentem a vida numa sala cheia de alunos podem ser tudo, menos educadores e, seguramente, não perceberão a melancolia dos corredores silenciosos.

Nesses grandes vácuos de gente dos prédios escolares é que opera nossa memória numa espécie de inventário, de lição de casa do trabalho feito, dos pequenos progressos humanos que se agigantam em enormes vitórias. Cada carteira uma presença; na lousa limpa, marcos à frente; no silêncio, o alarido musical da seiva da juventude; no vazio dos olhos, a enchente da memória que trará a força para o recomeço, apesar de tanto e de tantos.

Queridos meninos, as salas das quais saíram jamais se esvaziarão de suas presenças.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br