Conhecimento e cultura: conceitos essenciais para educar

Colégio FAAP

26 de março de 2021 | 15h58

Durante muito e insuportável tempo reduziu-se a educação a um alucinante martelar de informações: provas, vestibulares e avaliações eram meras verificações mnemônicas de um conhecimento estéril e insosso e, tantas vezes, inútil.

Mesmo que, ainda, parte da educação se perca nesse descaminho anacrônico, a busca de educar para a aquisição de ferramentas criativas e de encaminhar os conteúdos para a criação de conhecimento pertinente se patenteia como o caminho desse enorme desafio que é educar.

Mais uma vez, retornamos ao tema e, novamente, instigados pelo brilhantismo de nosso colega, o filósofo Luiz Felipe Pondé que, em uma de suas colunas, aborda as mazelas do conhecimento inconsequente.

Se a construção de uma cultura individual depende, evidentemente, do repertório de conhecimentos acumulados, o exercício para que esses conhecimentos sejam elaborados, refletidos e incorporados em um todo coerente e único é tarefa cuidadosa e demorada. O grande risco é o educador se deixar levar pela “pulsão didática do cumprimento do programa”.

O cumprir programas (quase sempre de uma extensão “maratônica”) foi uma derivação da necessidade gerada pela demanda de assentos universitários e da escassez dos mesmos, que desaguou no “monstro vestibular”, fazendo com que “colégios fortes” sejam aqueles que cobrem milhares de páginas e de exercícios.

Em minha passagem pela universidade, tive a felicidade de ter sido aluno do professor Dr. Joel Martins, uma das mais respeitadas vozes da pedagogia brasileira que, em uma de suas preleções, tratou desse norte pedagógico contemporâneo que é a interdisciplinaridade. Dizia ele que, por mais que devamos perseguir o embricamento dos conteúdos, existe um limite estabelecido pela própria delimitação da lógica das ciências e a síntese final, meta desejável, será elaborada pelo educando ante as demandas da vida.

Assim, tanto como fornecer um elenco de informações consistente e essencial e de qualidade, cabe ao educador incentivar e tutelar a reflexão que conduz a síntese do conhecimento que elaborará a cultura do indivíduo. Como todo o processo formativo, é uma marcha lenta, repleta de percalços, recuos e hesitações, mas cujo resultado final é a própria meta da educação.

Concluindo, mais vale desprezar parte dos conteúdos programáticos e ajudar os alunos a formarem, com sacrifício inerente à aquisição das coisas de valor, do que sufocá-lo num oceano de informações insossas que serão descartadas pela vida.

 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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