Como evitar a “iniciação” ao Burnout

Colégio FAAP

01 de outubro de 2021 | 10h00

Acabo de ler que o Burnout (síndrome pelo excesso de trabalho) tem sido campeão de consultas na internet. Sem dúvida, no contexto de uma crise sem precedentes na história contemporânea, as pressões e exigências do mundo do trabalho têm se potencializado e conduzindo milhares de pessoas a extremos de exaustão que resultam em patologias físicas e mentais.

Atentos à ação devastadora desse ambiente tóxico sobre a educação, é fundamental que nós, educadores, avaliemos tanto os efeitos indiretos e diretos sobre o ambiente escolar e de que forma podemos estar contribuindo para o agravamento dessa morbidez que se alastra.

Há muito tempo colhemos os efeitos das sequelas dessa epidemia, refletidas nos ambientes domésticos que respingam nas escolas: famílias desfeitas ou desestruturadas; pais ausentes e alienados da vida de seus filhos; diálogos inexistentes ou tóxicos e, no extremo, agressividade nas relações familiais.

Se as escolas, efetivamente, não têm condições e mesmo instrumentos adequados para auxiliar a vida familiar, por outro lado, devem buscar atenuar os efeitos desses desajustes. Tais desafios que ocupam boa parte dos problemas pedagógicos enfrentados pelas instituições de ensino pedem uma abordagem mais cuidadosa, por preventiva, para evitar ou minorar situações extremas.

Na busca de um ensino mais eficaz, jornadas integrais de estudo precisam de uma muito pensada e delicada arquitetura. O alongamento da jornada escolar não pode ser comparado (nem mesmo emular) o mercado de trabalho, mas deve estar cuidadosamente focado em objetivos e adequações pedagógicas para não se tornar um “prefácio do Burnout”.

Numa fase de formação, onde os efeitos do estresse podem ser muito comprometedores, cabe à escola dosar tarefas, adequar abordagens didáticas para tornar o aprendizado mais atraente, menos árido e, portanto, menos exaustivo. As abordagens “conteudísticas”, disciplina de caserna, atrofia do diálogo e, sobretudo, educação verticalizada são componentes anacrônicos e facilitadores de estados de estresses precoces.

A construção coletiva do conhecimento focada no aluno enquanto efetivo sujeito da educação sempre leva a abordagens didáticas mais interativas, mais lúdicas, pois quem constrói, como parceiro tutelado, uma obra dela se orgulha e desfruta!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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