Ciência, educação e cidadania

Colégio FAAP

24 de julho de 2020 | 09h48

Isolamento, preocupações agudas sobre os destinos da humanidade e a busca vital de manter as esperanças vivas a partir de propostas conscientes nos fazem questionar as origens de atitudes aparentemente inexplicáveis.

Falo das razões que levam milhares de pessoas a, ao arrepio da ciência, do bom senso, até mesmo da compostura social, descumprir normas elementares de prevenção à pandemia e da vida em sociedade. Propaganda massiva, divulgação de consequências tenebrosas, exemplos de todos os polos desenvolvidos da humanidade e, ainda assim, multidões insistem em desafiar preceitos higiênicos e atitudes de convívio elementares!

Alguns dirão, pessoas desvalidas da educação, argumento desprovido de fundamento quando, muitos dos transgressores, pertencem a setores privilegiados da sociedade. Fruto de um momento de sufocamento social, outro argumento falso quando o uso de cinto de segurança, o fumo em lugares proibidos e outras transgressões elementares à vida em sociedade pululam nos “tempos normais”.

Entre o estarrecimento e a revolta pelo descaso com a vida alheia, surge a pergunta que não quer calar: onde a educação falhou de modo tão profundo e indelével?

Se dentre os objetivos essenciais da educação se insere, indiscutivelmente, o despertar para as possibilidades e horizontes das ciências e o respeito pelo próximo, nosso fracasso é imenso!

Ou melhor, e sendo mais justo: a tarefa do educador é muito maior do que se pensava!

Uma parte da resposta é um mantra de minha vida profissional. Só o exemplo, de fato, educa enquanto princípio para a gestação de uma atmosfera de cultura e cidadania.

E esses têm sido objetivos pedagógicos de nosso Colégio: criar, em todos os conteúdos disciplinares, na essência de nosso tratamento didático e, sobretudo, no conjunto da vida cotidiana escolar, uma cultura de cidadania e respeito ao conhecimento.

Não mais sobreviverão instituições educacionais focadas, meramente, na aquisição de conteúdos, na busca restritiva e medíocre de condições para o sucesso em provas.

Na era do conhecimento, a formação de cidadãos conscientes criará as condições para que a ciência e a cultura sejam instrumentos civilizatórios e, não mais, apanágios de alguns, menosprezo de muitos e, assim, ferramentas inócuas de progresso humano. 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: