Bullying, aumento da agressividade ou demonização de antigas práticas?

Colégio FAAP

15 Março 2016 | 11h21

Existem temas tabus que só integram a pauta dos educadores quando se tornam notícia e o bullying parece que, ultimamente, encabeça essa lista. Assim, nada melhor podermos refletir sobre ele, longe das manchetes sensacionalistas, num espaço de reflexão, prevenção e alerta para as famílias.

De fato, nada mais preocupante do que ver nossos filhos infelicitados por uma cultura de humilhações e agressões. Mas, nunca é demais lembrar que os grupos infanto-juvenis são, naturalmente, propensos a brincadeiras com algum conteúdo de violência.

O real cerne desta questão é, efetivamente, detectarmos se os coeficientes de agressividade entre os jovens estão subindo ou se, a justa criminalização dos excessos, deu notoriedade a essas práticas abomináveis. Tais ponderações são necessárias para, num primeiro momento, apaziguar as famílias que, ante o teor das notícias, sentem-se como que ameaçadas por mais um tipo de epidemia.

Não se discute quanto ao aumento global dos níveis de violência, mas lembremos que tais níveis são amplificados pela conectividade e velocidade dos ambientes digitais de comunicação,  que, em tempo real, dão notoriedade a fatos nem sempre tão numerosos, nem tão graves.

A própria e justa criminalização acaba por levar às barras do tribunal imaginário acontecimentos que só podem ser resolvidos por um tratamento pedagógico numa ação conjunta escola e família. É sobejamente notório, que a abordagem judicial apenas agrava eventos dessa natureza, pouco sanando suas causas e, o mais grave, tolhendo a ação educativa de correção.

Cabe, igualmente, ressaltar que nos colégios bem administrados, assim que se percebe algum “ruído” dissonante na harmonia do convívio dos alunos, ações conciliadoras de caráter apaziguador corrigem os excessos na única forma que existe de erradicá-los, pela conscientização da dor e dos direitos do outro. Dessa forma, a partir de um constante e cuidadoso acompanhamento da dinâmica dos grupos, o que se obtém por um estreito trabalho de cooperação entre o todo do conjunto pedagógico, o surgimento de situações agudas se torna fato muito raro.

A simples forma de atuação do setor de Orientação Educacional é suficiente para esclarecer as famílias quanto ao risco de, nas escolas de seus filhos, acontecer esse fenômeno indesejável, peculiar às escolas de massa, onde o aluno só aparece como indivíduo nos dois limites opostos da escala pedagógica, quando é brilhante, ou quando é problema.

Por fim, o bullying não prospera em culturas que privilegiam a cordialidade e a cidadania, fatores indissolúveis do educar em sua mais indiscutível essência.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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