Avaliações otimistas, pessimistas e realistas de um semestre

Avaliações otimistas, pessimistas e realistas de um semestre

Colégio FAAP

29 Junho 2017 | 11h00

Em posts anteriores, pedimos calma aos pais no que se referia a sucessos ou fracassos escolares em virtude do pouco tempo decorrido. Neste semestre que finda, temos um bom momento para nos debruçarmos sobre o rendimento escolar dos filhos e fazer, com eles, uma avaliação ponderada. A esta altura, dificuldades, carências e eventuais problemas, já estando enunciados, exigem uma reflexão calma ou para a consolidação de posição conquistada ou para o estabelecimento de estratégias de superação de dificuldades.

Um das mais corriqueiras (e danosas) atitudes das famílias é conceder ao início das férias escolares o beneplácito da paralisação da vida escolar recente. Não será, num passe de mágica, que o reinício das aulas trará à memória, com lucidez, o histórico do processo de aprendizagem para sua retomada sem perdas e com as devidas correções.

Até mesmo para que o período de férias tenha seu desfrute merecido e adequado, é preciso que se valorizem esforços, se planejem recuperações e se responsabilizem as omissões.

Como ponto de partida para qualquer avaliação escolar séria, devemos desconsiderar os padrões tradicionais das medidas aritméticas burras e nada pedagógicas. Mesmo que “médias” sejam adotadas pelas escolas e, muitas vezes, inadvertidamente sacralizadas, o que deve ser considerado é o crescimento global do educando dentro do quadro de suas possibilidades. Quantas não foram as vezes que, meio ponto em dez significou uma nota superior ao considerarmos as dificuldades enfrentadas pelo aluno nesse crescimento?

Quando ficamos nas referências genéricas e massificantes corremos o sério risco de não valorizar os esforços de superação humana que escapam, em algumas escolas, da percepção de mecanismos robotizados de avaliação. Por sinal, um dos mais fidedignos elementos de comprovação da qualidade de um projeto pedagógico é a qualidade e atenção conferidos aos critérios de avaliação, fatores de promoção ou desvalorização do indivíduo e, portanto, de extrema importância educacional.

Idêntica atenção devem ter os casos de sucesso: ponderar com o estudante o quanto esse bom desempenho exigiu dele, se ele poderia render ainda mais e, sobretudo, se ele se sente feliz e reconhecido com tal desempenho é vital. Terríveis injustiças são cometidas com os “alunos excelentes” que, incensados, ficam esquecidos em seus pedestais de glória, sem que lhes pergunte se boas notas lhes bastam, se sentem livres para serem diferentes.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br