Avaliações, confiança ou medo

Colégio FAAP

27 de novembro de 2020 | 12h15

Ano letivo que termina, apesar de único, acaba em provas, vestibulares e outras “formas de terror pedagógico”, assim como outras tantas modalidades de pesadelos que ocorrem na vida escolar e que nos perseguem vida afora. Que provas, exames, avaliações sejam importantes para preparar para a vida e avaliarem aprendizado, não discuto. Mas convido os educadores a repensarem, com todo o cuidado, as velhas fórmulas que sobrevivem a tudo o que é novo, dependuradas no conceito de “seriedade”.

Devemos preparar nossos alunos para desafios, dificuldades e tensões. Mas fazer das avaliações de aprendizagem pequenos pesadelos que povoarão noites insones pelo resto de suas vidas, é um desvario inconcebível.

Avaliar o aprendizado deve ser, antes de tudo, mais um momento de aprendizado e crescimento!

Tornar as avaliações uma questão de vida ou de fracasso é se esquecer que a principal variável do sucesso, em qualquer tipo de prova, é a autoconfiança do examinando.

Prof. Henrique Vailati Neto (foto: Fernando Silveira/FAAP)

Assim, preparar o educando a superar com êxito os obstáculos da vida, quer sejam eles provas, vestibulares ou entrevistas, deve ser um trabalho metódico, paciente e lento de construção de sua autoconfiança, forma superior de afastar o medo que, por sua vez, é a maior e pré causa de fracasso. Essa confiança deve ser incorporada como consequência do trabalho e da dedicação e, apenas nessa relação, sucessos e insucessos devem ser analisados, neutralizando a insegurança, fator inadequado de avaliação.

Fico estarrecido ao constatar a frequência com que crianças, em séries iniciais do ensino fundamental, já apresentam “síndrome de provas”.

Desafio argumentos que justifiquem, em nossos dias, essa educação pela pressão e pelo medo, esse resquício inadmissível de quarteis na vida civil.

Quando ensinava meus alunos a fazerem “colas” enquanto excelentes formas de se fazer um resumo, quando insistia em tirar dúvidas durante provas para ajudar na construção de respostas mal encaminhadas, mesmo sendo apontado como infrator pelos defensores da tradição, sempre tive a certeza do acerto pedagógico pelo êxito de meus alunos na vida e cujo maior indicador é a felicidade.

É vital repensarmos os critérios de avaliação, uma vez que eles, em grande parte anacrônicos, são fatores decisivos na escolha das escolas e essenciais nos projetos pedagógicos. Não se pode mais aceitar e, sobretudo, esconder a nota enquanto instrumento de poder e dominação, uma vez que, numa escola, a autoridade deve ser sempre o único fator de respeito e ela nasce e é fundamentada no reconhecimento pelo aluno e não no medo da reprovação.

“O poder das canetas vermelhas” é o de promover, incentivar, premiar e orientar, nunca intimidar, rebaixar ou punir!

  

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.