Aprendendo e educando com o mestre corona

Colégio FAAP

09 de abril de 2020 | 10h53

Em meio à epidemia de informações, cabe ao educador se afastar de temas que desconhece, deixando-os a especialistas. Estamos todos enojados de ver grandes espaços ocupados, na mídia, pela prepotência ignorante (redundância…).

Dessa forma, nos obrigamos, na nossa limitada medida, chamar a atenção para alguns aspectos que descortinamos neste inusitado panorama, como contribuições para educar com o mestre corona.

Um dos aspectos mais contundentes e, talvez, mais críticos do que temos assistido é o decorrente da não percepção das abissais diferenças entre ensino e educação a distância. A não percepção de tais diferenças pode significar a perda de energia, de tempo e da não obtenção de metas essenciais no projeto pedagógico.

As principais ferramentas do EAD foram criadas para passar informações, foram formatadas para treinamentos e, no caso da educação, como utilíssimo complemento do ensino regular, ou seja, não foram elaboradas para educar!

No caso da educação de massa, o EAD se transformou numa inesgotável e muito eticamente discutível fonte de lucro, o que lhe conferiu sofisticação para um crescente leque de recursos e que, de qualquer forma, apenas resvalou projetos educacionais. É justo que se diga que essa não era sua intensão original.

Ante ao cenário que estamos sendo obrigados a enfrentar, é plenamente justificável que o recurso ao EAD tenha sido uma saída de emergência, mas que deve ser repensada e adaptada para a educação e aproveitada melhor em seu potencial.

Num colégio de nicho como o nosso, com turmas reduzidas e um projeto pedagógico de construção coletiva, a transição está demandando um enorme esforço de todos os envolvidos, para que se consiga assegurar, no trabalho de educar, as individualidades, para que mantenhamos os alunos enquanto sujeitos de sua formação, para que os orientemos a se apropriarem da informação e transformá-la em conhecimento pertinente, ou seja, superar a pequenez dos conteúdos como objetivos maiores.

A reformulação do nosso trabalho e a adequação da ferramentaria informacional está demandando, para todos os envolvidos, um colossal, mas gratificante esforço criativo e a certeza de que uma equipe competente e, acima de tudo, unida por um ideal, nos permitirá lembrar com orgulho esta batalha.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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