A reforma curricular para a atenção das famílias

A reforma curricular para a atenção das famílias

Colégio FAAP

14 Outubro 2016 | 15h25

Colégio FAAP

Ainda que tenhamos um prazo para a aprovação no Congresso e para a sua implantação, a reforma curricular do Ensino Médio preocupa os educadores e, evidentemente, as famílias cujos filhos estejam, de alguma forma, envolvidos.

Nesta altura do processo de regulamentação em que temos, apenas, alguns princípios gerais, nos sentimos na obrigação de fornecer às famílias alguns indicadores para que elas possam ponderar possíveis decisões.

Dois princípios que nos parecem consagrados são os da redução do número de disciplinas obrigatórias e de uma maior flexibilidade para que as escolas possam atender às especificidades de sua clientela (esperando que os Estados não “metam a colher”). Diante disso, é preciso que as famílias fiquem atentas à sensibilidade e visão dos gestores escolares na produção desse “currículo customizado”. É vital que as famílias tenham muito claro os produtos que desejam obter na formação de seus filhos para que, ou não se deixem levar por modismos, ou aceitem, por fatores externos, projetos pedagógicos que provoquem danos irreparáveis no futuro.

Um dos princípios seguros sobre os quais tomar decisões é o da potencialidade do projeto pedagógico de desenvolver as competências intelectuais essenciais para o ingresso e o sucesso na vida acadêmica: normalmente, as famílias se fixam no volume de conteúdos que a escola é capaz de comunicar com eficiência, esquecendo-se que o cerne da educação é domínio da lógica de cada ciência. O resto é informação de fácil acesso nesta era do conhecimento.

Outro aspecto essencial nas possíveis mudanças é o de que, buscando currículos mais interessantes aos educandos, far-se-á, a partir da segunda série do ensino médio, a escolha por áreas do conhecimento. Ou seja, o primeiro passo no sentido da escolha da profissão será dado numa idade precoce cerceando, perigosamente, mudanças tão comuns e necessárias nessa fase da vida. Tal escolha obrigará as escolas e as famílias a anteciparem e a aprofundarem, com muita seriedade, o processos de orientação vocacional, caso contrário, reinauguraremos a “fase áurea” dos cursinhos e da evasão nos primeiros anos das faculdades.

Pela amplitude dos efeitos que mudanças na educação sempre provocam numa sociedade, é forçoso que todos nos envolvamos nessa discussão e não nos deixemos imolar pelos deuses da mudança como redentores únicos das mazelas presentes.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br