A proximidade distanciada: recriando a convivência

Colégio FAAP

24 de setembro de 2021 | 15h14

Com a vacinação atingindo os adolescentes, pudemos ter, felizmente, a maioria de nossos alunos retornando presencialmente. No entanto, a rigorosa observância das normas sanitárias pelo Colégio criou, entre tantas, mais uma nova situação: a reaproximação, com distanciamento, da comunidade escolar.

Numa idade em que o contato físico (pele com pele) é, mais do que uma característica, uma necessidade, manter a necessária distância é um esforço de reeducação, um desafio e um sacrifício. Enquanto os mais velhos, que deveriam ter atitudes exemplares, burlam normas vitais de saúde e cidadania, propositadamente, é alentador verificar a adesão consciente dos jovens!

Da mesma forma, é entusiasmante a criatividade com que as novas condições de convívio suscitam resiliências. Antes que fossem autorizados os esportes coletivos, soube que, em um colégio de ensino fundamental, as crianças, tentando manter o distanciamento, criaram o “futebol clandestino”, termo por eles cunhado que consistia num jogo sem dribles, ou seja, mantendo distância.

Engessando parte da liberdade criativa que o Colégio FAAP sempre teve como um traço de sua cultura, a disposição rígida das carteiras em sala dificulta trabalhos em grupos e outras atividades que demandam “topografias didáticas” não tradicionais. Na educação que se fundamenta na construção coletiva do conhecimento, obstáculos secundários são superados pela própria natureza pedagógica dos objetivos propostos, fazendo com que os meios sejam, naturalmente, recriados.

Considerando a natural e rica resiliência de crianças e jovens, basta que, sob o incentivo docente, permitamos que o educando assuma seu papel de sujeito consciente do processo de aprendizagem, para que eventuais obstáculos sejam superados.

Quando um projeto pedagógico se fundamenta na plasticidade de atitudes ancoradas na firmeza de princípios pedagógicos, desvios podem encurtar trajetórias; mas em propostas anacrônicas qualquer desvio no percurso traçado implica em perdas inevitáveis e comprobatórias de sua ineficácia pedagógica.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

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