A pedagogia do imponderável      

Colégio FAAP

12 de abril de 2021 | 09h25

Em várias de nossas publicações, nos debruçamos sobre tema da segurança, que devemos ajudar nossos alunos a construir para a sua autossuficiência enquanto um dos objetivos essenciais da educação em qualquer nível.

Em meio à turbulência inusitada de nossos dias, onde quase tudo o que era previsível se liquefez, onde, a cada dia, países tidos como sedes do planejamento e da modernidade se fragilizaram ante o poder dos fatos, é imprescindível que o educador coloque a insegurança como o novo foco da educação, permeando os conteúdos tradicionais.

A escola moderna sempre se preocupou em enquadrar seus programas na moldura da realidade de cada aluno. No entanto, quando o próprio educador se vê engolfado na imponderabilidade de uma realidade que, repentinamente, subverteu a todas as perspectivas plausíveis, é preciso que a própria educação se revisite. Fico extremamente preocupado como, em meio ao caos (quase um eufemismo ante o que presenciamos), tentemos manter nossos projetos em padrões divorciados desse “cruel mundo novo” como se a escola fosse uma bolha intocável.

Evidente que não se trata, aqui, de abrirmos mão daqueles pensados e consagrados objetivos educacionais que as escolas sérias estabeleceram. Falo de uma emergencial imposição de acertarmos o tom e o andamento de nossos discursos para atendermos a incerteza que, insidiosamente, se estabeleceu em todos. Não há o que discutir que o pavor que nos abate, as incertezas de cada hora que fazem com que os mais velhos curvem os ombros desanimados, comecem a se estabelecer na sensibilidade dos mais jovens e menos conscientes.

Quando se fala no ”novo normal” se esquece de que o que vivemos, antes de mais nada, é o anormal”, aquilo que fugiu ao pensado, sobretudo, uma anormalidade que desnudou tudo o que as instituições tinham de frágil, revelando a nudez do rei.

Aqueles que possam interpretar estas ponderações como exercício retórico para cumprimento de uma obrigação, ou enquanto insensatez de um velho professor, que abram as janelas para o mundo e tirem as vendas da alienação! Percebam a agonia dos verdadeiros luminares pensantes em todos os limites das ciências! Afastem-se dos profetas do imediatismo que se agarram a uma pretérita quimera!

Quando quase tudo se obscureceu, obriga-se ao educador conduzir o educando a aprender a enxergar na escuridão a esperança que nasce na segurança dos princípios humanitários que nos fizeram sobreviver e superar as grandes agonias civilizatórias.

O que vivemos é uma dessas encruzilhadas da história que, com gigantescos sacrifícios, estabelecerá categorias humanas: aqueles que aprenderam com a dor e souberam construir o novo tempo e os outros que, apegados ao antigo, foram apagados pela História. Nos cabe escolher em qual dos grupos queremos os nossos jovens.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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