A mais efetiva ferramenta pedagógica: o exemplo

Colégio FAAP

05 de agosto de 2019 | 11h32

Pode parecer falta de assunto, ideia fixa, mania ou qualquer outra idiossincrasia: por mais que evitemos retornar a este tema, a realidade do educar em tempos digitais nos obriga a ele, pois sempre existirão desavisados que não se dão conta da importância do exemplo.

Falamos do educar em seu sentido mais amplo e mais crucial. Daquelas ações que envolvem a formação plena, pouco perceptíveis e que, em muito, extravasam as salas de aula: o educar no lar, no dia a dia, naqueles espaços que ficam no vácuo da educação dita formal e onde, de fato, se processa grande parte da formação do indivíduo.

O que nos traz ao tema é uma verdadeira epidemia de maus costumes, o uso inadequado das novas tecnologias, sobretudo, do celular. Tenho sido testemunha angustiada e impotente de tentativas familiares frustradas de afastar ou minimizar nos filhos esse cativeiro.

Deixo de lado a redundante discussão quanto ao amplo espectro de possibilidades e inconveniências dessa inversão de instrumentos em fins, para me concentrar em atitudes precedentes e de consequências muito mais profundas no educar para a vida.

Como cobrar moderação e adequação no uso do celular se os adultos, sem nenhuma censura ou compostura, o usam indiscriminadamente?

Como tentar fazer uma criança entender os limites da vida em sociedade, ou posturas éticas, se os mais velhos não lhes dão os parâmetros exemplares de cidadania, gentileza e cordialidade, matérias-primas da convivência civilizada? É assustador como os mais elementares preceitos daquilo que se chamava urbanidade são, mais do que ignorados, confrontados pelos adultos, ou seja, por aqueles que deveriam exercer o papel paradigmático na educação.

Não é incomum, no exercício do magistério, ao alertamos ou coibirmos um jovem para uma atitude inadequada, recebermos como resposta: “nem meu pai fala assim comigo!”

O que reside no mais íntimo do exemplo é a confirmação ou negação dos princípios verbalizados. É ele que, em seu mutismo eloquente e incontestável, dá coerência ao nosso discurso, ou o transforma em fator liminar de anulação do que pregamos.

É curioso como, na Era da Informação, não nos damos conta de quanto a “galáxia de Gutemberg” é absurda e intensivamente corroída pelo mau uso decorrente dos discursos divorciados da ação.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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