A maior lição olímpica: o fracasso

A maior lição olímpica: o fracasso

Colégio FAAP

15 Agosto 2016 | 14h15

handebol

A Olimpíada que, talvez, seja um dos últimos eventos civilizados da humanidade não é suficientemente explorada pelos educadores, sobretudo, quando se é o anfitrião da festa e se vive intimamente o clima olímpico.

Rios de tinta são gastos em enfatizar o esforço, a persistência e os sacrifícios da elite que chega ao horizonte olímpico, enaltecendo o caráter quase sagrado de que se reveste o atleta vencedor enquanto um ícone humano máximo de superação. Nada mais meritório e necessário.

No entanto, o que se observa como uma das mais belas reações no público olímpico é o respeito e a admiração pelo derrotado que, na maioria dos casos, é aplaudido com entusiasmo como reconhecimento ao sacrifício; reação diametralmente oposta aquela das famigeradas torcidas organizadas do futebol que fizeram do esporte um sucedâneo não menos selvagem da guerra onde o perdedor deve ser destruído, mesmo que seja seu time.

Numa civilização que tem, como profundo traço de cultura, a competição e onde uma das mais ferinas ofensas é a palavra looser, exaltar os vencidos parece uma ação  deseducadora. Evidente que não há sentido em se educar para a derrota, mas não se pode, de forma alguma, deixar de se levar aos jovens o aprender com as derrotas o que, no fundo, é a pedagogia das perdas. Uma das marcas das últimas gerações é a incapacidade de administrar as perdas, de emprego, de relacionamentos e, sobretudo, de entes queridos.

Para uma geração que entende que a felicidade é um direito inato e não uma construção paulatina e delicada de muito trabalho; para estes nossos jovens para os quais a palavra não se reveste de um conteúdo incompreensível, levar à reflexão de como encarar o aprendizado da derrota é uma tarefa que cabe aos educadores trabalharem com igual ou maior afinco do que a preparação para o sucesso. Se alguns não se prepararam para a glória, poucos foram educados para a derrota construtiva.

Saber que, numa competição, a grande maioria será vencida e não derrotada é mostrar ao jovem o verdadeiro significado da superação, é fazê-lo refletir sobre percalços que sempre aparecerão, mesmo quando se fez o máximo para acertar; é mostrar que o homem pode ser vencido, mas não destruído. Cabe ao educador enfatizar a disciplina de trabalho daqueles que amam o que fazem e, acima de tudo, humanizar a glória enquanto episódio efêmero.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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