A interdisciplinaridade: uma condição de sobrevivência

Colégio FAAP

04 de setembro de 2020 | 14h18

Em nosso último post voltamos à questão do lugar das ciências nestes turbulentos tempos. Agora, sempre focando a educação, queremos mostrar um dos pontos de resistência à modernidade científica e educacional, a abordagem interdisciplinar, caminho inevitável (e já antigo) de se fazer e pensar ciência.

Quer pelas disputas da vaidade científica e acadêmica, quer por permanências retrógradas, ainda se briga pela delimitação de fronteiras e competências entre as ciências e as áreas do conhecimento, quando a interpenetração e a eliminação desses limites artificiais é uma via de superação de uma infinidade de problemas. Se a especialização marcou e marca a ciência de vanguarda, a amplitude de visão é condição essencial de humanizar e dar eficacidade ao conhecimento.

De fato, o aprofundamento e a especialização vertiginosos do conhecimento fez com que o foco e as pesquisas tivessem um grau absurdo de especificidade, mas, em igual proporção, cresceu o trabalho em equipes multidisciplinares, abrangendo, cada vez mais, áreas que, antes, nunca se imaginaram em trabalhos conjuntos. Muitas das quais competiam pela primazia dos objetos de estudo.

Certamente, o leitor atento objetará: mas, tudo isso não é discussão superada na virada do século XX? Seguramente, se resíduos anacrônicos não estivessem vivos nas entrelinhas da contemporaneidade. Assusta como, no senso comum e ocupando um espaço do inconsciente social, os limites do conhecimento, que ainda são mantidos em feudos mentais que dificultam que se trabalhe na “dimensão do todo”.

Nossa obrigação de educadores é trabalhar essa “lateralidade de visão” científica desde cedo, para que nossos educandos se libertem desses “feudalismos científicos” e se deem conta que o cidadão do futuro dependerá do grau e amplitude de sua visão para sobreviver ou, numa expressão contemporânea, de um enfoque holístico.

Para tanto, nosso Colégio privilegiou e se orgulha de uma equipe pedagógica que pensa e trabalha muito fora dos limites míopes da tradição escolar: o que não significa superficialidade ou aventura pedagógica, mas significa pensar a educação sem fronteiras que não existem no mundo.

Projetos Interdisciplinares abrem espaço na programação regular para trabalhar de forma orgânica a realidade. Tais empreendimentos pedagógicos são facilitados pela parceria com os cursos superiores da Faculdade FAAP que, dando profundidade a temas da atualidade, permitem criarmos os fundamentos para educar cidadãos para o futuro.

 Pretensão? Não! Necessidade premente de se combater sementes do obscurantismo que ameaçam germinar e comprometer o processo civilizatório.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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