“A grande maioria dos jovens chega às vésperas do vestibular e ainda não sabe o que cursar”

“A grande maioria dos jovens chega às vésperas do vestibular e ainda não sabe o que cursar”

Colégio FAAP

01 Fevereiro 2019 | 15h20

De acordo com a coordenadora pedagógica do Colégio FAAP, Marinez Féliz Rafaldini, é necessário um projeto intenso de orientação vocacional

 

Para a professora Marinez, não se pode negar a importância da tecnologia para a sala de aula (Foto: Aline Canassa / FAAP)

 

Formada há mais de 50 em Letras e Pedagogia, sendo 30 deles como coordenadora pedagógica do Colégio FAAP, a professora Marinez Féliz Rafaldini é a responsável por orientar os alunos, principalmente, na escolha da profissão. “Eles mudam de ideia a cada instante”, diz. Segundo a professora, é necessário um trabalho individual, desde a primeira série do Ensino Médio, de forma a conduzi-los para um caminho mais feliz.

Na entrevista ao Blog, a professora fala sobre bullying, algo que deve ser cortado logo no início, tecnologia em sala de aula como aliada no aprendizado e, também, sobre orientação vocacional.

O mundo virtual está integrado à vida cotidiana dos adolescentes. Como a escola consegue conviver com essa realidade?

A tecnologia e as redes sociais estão aí e não se pode negar a importância e a contribuição para a aula do professor. Trazer essas ferramentas para a sala de aula é uma forma de mostrar aos alunos como devem ser usadas com foco, sem distração. A tecnologia pode ser uma forte aliada para o aprendizado.

Quais são as três das mais marcantes características desta geração de nativos  digitais?

Os nativos digitais estão online quase o tempo todo. São capazes de se isolarem, mesmo cercados de muita gente. E possuem muitas habilidades para lidar com todas as tecnologias digitais.

De que forma esse perfil compromete o rendimento escolar?

Mesmo com a facilidade no desenvolvimento de múltiplas tarefas, como ouvir música, assistir à TV e mexer no celular, não acredito que consigam processar o conhecimento como deveria ocorrer. Para mim, há um comprometimento no rendimento.

Como o Colégio enfrenta tais dificuldades?

O Colégio FAAP aproveita essa habilidade do aluno em lidar com tecnologia digital, incentivando-o a usá-la ao fazer uma pesquisa, um seminário ou mesmo em jogos educacionais.

E as famílias?

As famílias também encontram dificuldades para lidar com os filhos digitais porque também estão imersas na tecnologia digital, dando pouca atenção às crianças e aos adolescentes, criando assim um isolamento. É preciso muita atenção em relação a isso.

Quais as maiores incertezas vocacionais da atual geração?

A grande maioria dos jovens chega às vésperas do vestibular e ainda não sabe o que cursar, ou muda de ideia a cada instante. Em minha opinião, é uma geração líquida, conforme explica Zigmunt Bauman.

Diante disso, como o Colégio ajuda seus alunos?

A partir de um intenso projeto de orientação vocacional. Aqui no Colégio FAAP isso ocorre desde a primeira série, com análise introspectiva e de autoconhecimento. Nos anos seguintes, são realizadas palestras com professores dos cursos de graduação da FAAP. O fato de estarmos dentro da faculdade facilita muito essa ação. O aluno pode assistir às aulas que mais interessam a ele, falar diretamente com o professor da área, ou seja, pode tirar todas as suas dúvidas, inclusive com os alunos do curso. Além disso, há a vantagem de viver em um ambiente universitário.

E os bullyings, que têm sido uma preocupação para familiares e escolas? Como o Colégio evita que ocorra?

Agimos logo ao primeiro sinal de uma desavença ou algum constrangimento entre os alunos, conversando com todas as partes envolvidas e, quando necessário, chamamos os pais para participarem dessas conversas. Estar próximo ao aluno é muito importante, porque facilita essa comunicação. Todos os professores recebem muita orientação em relação a isso. Até o momento, conseguimos eliminar qualquer ação que pudesse indicar bullyng e isso nos deixa muito felizes e certos de que estamos agindo de forma correta.