A escola inclusiva revelando projetos pedagógicos

Colégio FAAP

06 de novembro de 2020 | 17h30

O atendimento a estudantes com necessidades especiais é, efetivamente, um revelador da essência pedagógica dos projetos escolares na medida em que desnuda objetivos normalmente difusos ou não contemplados.

Se a missão de uma instituição educacional, em qualquer nível, é oferecer educação a todos, não pressupor as condições necessárias para tanto é, no mínimo, imprevidência e, no máximo, hipocrisia. Ao procurar uma instituição de ensino, é direito essencial de quem o faz ter conhecimento do seu projeto pedagógico na íntegra o que, nem sempre, está contemplado em importantes detalhes.

É evidente que, nos extremos de patologias ou deficiências, a necessidade de escolas especiais se impõe. Mas existe um largo espectro de necessidades especiais que escolas bem geridas podem e têm o dever de atender, uma vez que o convívio com diferenças é, num espaço de normalidade educacional, a mais efetiva terapia para a maior parte dos problemas dos seres humanos e pressuposto para a tão decantada (e erroneamente abordada) “formação integral”.

Selecionar no ingresso (eufemismo para segregar) pode ser, inconscientemente, uma ação de eugenia educacional. Não misturar “os diferentes” com “os normais” como se tivéssemos (apesar de muitos diagnósticos médicos inconsequentes), condições de medir as reais necessidades e potencialidades dos seres humanos. Quantas vezes estudantes estigmatizados não revelaram potencialidades surpreendentes calando (tardiamente) diagnósticos castradores e desafiando protocolos imprecisos?

Da mesma forma, a convivência com as “diversidades não institucionais” (diferentes daquelas evidentes e midiáticas) é fundamental na formação integral do indivíduo, enquanto via efetiva da criação do respeito humano, da solidariedade e do convívio civilizado, condições mesmas de sobrevivência humana. Isolar o educando das muitas realidades da vida é privá-lo de um aspecto essencial de sua formação, é transformá-lo num ser diminuído e míope criado para ficções róseas; será desprepará-lo para o mundo real no qual, muito menos do que um nobre compromisso humano, o respeito à diversidade é uma obrigação legal.

No Colégio FAAP, em seus trinta anos de existência, incontáveis vezes recebemos alunos que, superando o receio inicial, se socializaram e tiveram uma vida escolar feliz e com aproveitamento escolar. No entanto, o receio das famílias que, não conhecendo nossa cultura, trazem alunos com necessidades especiais, faz com que, inúmeras vezes, omitam problemas que, conhecidos, facilitariam nosso trabalho de integração.

A inclusão é um termo que designa, muitas vezes, uma especificidade pejorativa. Quando um aluno chega num ambiente novo, o processo de inclusão nessa nova cultura é pré-condição indispensável para o êxito do processo. Incluir é o dever de criar condições para que o educando se sinta acolhido, se sinta parte de um novo grupo social que deseja sua presença. Assim, a inclusão é, sempre, um noviciado para todos.

Evidentemente que, nas instituições massificantes, tal trabalho individualizado, cuidadoso e constante não encontra espaço, fazendo com que alunos especiais sejam colocados, quando aceitos, em “segregação não declarada”. O mesmo acontece com escolas menores que não possuem um projeto estruturado e consciente de formação de uma cultura de convívio harmônico.

Longe de pensar que somos um colégio especializado, somos uma escola essencialmente voltada à formação integral do educando, o que, como já dissemos, se fundamenta no convívio cordial e urbanizado. Desde a primeira entrevista, percorrendo todos os espaços e integrantes de nossa equipe, a manutenção dessa cordialidade (condição sempre desafiadora de ser mantida), nos tem permitido receber a diversidade com a segurança de que poderemos, na grande maioria dos casos, formar gente especial como todos os alunos.

  

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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