A “ciência” de contextualizar as avaliações

Colégio FAAP

15 de maio de 2020 | 13h48

Raros foram os momentos da história recente em que tanto se valorizou, se esperou e se discutiu a ciência: desde achados absurdos do mais profundo e chocante obscurantismo, até uma reverência de há muito negada aos cientistas.

Entre outras coisas, o que marca a abordagem científica é o método de olhar para um objeto no sentido de garantir um conhecimento o mais seguro possível e, assim, começar por contextualizar tal objeto, ou seja, identificá-lo em sua realidade específica.

Se a introdução ampliada nos permitiu um desabafo, também foi um apelo para que, nestes tempos de anomalias profundas e inesperadas, pudéssemos introduzir mais um tema oportuno nesse processo de educação online: como considerar e ponderar as avaliações escolares, sobretudo, quando as primeiras “notas na exceção” surgem.

Se existe um calcanhar de Aquiles na vida escolar, esse é o sistema e os critérios de avaliação. Avaliar com justiça, considerando as peculiaridades e condições de cada educando, sem submetê-lo à “vala comum” das massificações, é tarefa de suma delicadeza para quem avalia e para quem interpreta a avaliação.

Quantas vocações e vidas não foram severamente afetadas pelos “deuses das canetas vermelhas” e suas impiedosas notas que, por incrível que parecer possa, ainda sobrevivem espalhando a deseducação e suas metástases?

Em nosso Colégio (como naqueles em que cada educando é um universo próprio a ser respeitado), múltiplos e constantes instrumentos de avaliação buscam acompanhar e documentar o seu desenvolvimento, ou seja, as notas devem documentar um processo e não, apenas, alguns momentos. No mesmo sentido da busca da mais realista constatação do aprendizado, as notas devem considerar as condições específicas de cada estudante. Se para muitos a média é 6, para alguns deve ser 4 e, para outros, 8.

Se, hoje, cada segmento de nossas vidas exige uma releitura para ser contextualizado no “universo da pandemia”, lembro a todos, como lembramos a nós educadores, que essas primeiras notas foram produzidas e obtidas em condições extremamente anômalas, nas quais todos os envolvidos no processo tiveram que se reinventar.

Prezadas famílias, fiquemos muito orgulhosos de termos conseguido ajudar nossos filhos a saírem da cama e ir para a escola bem ao lado do travesseiro.

Agradeçamos a sorte de termos instrumentos e acesso a uma educação remota na qual toda uma instituição se uniu e se debruça sobre o caos para construir uma nova ordem.

Busquemos, como sempre o fizemos e, agora, mais do que sempre, engrandecer as conquistas de nossos filhos e ajudá-los a encarar suas falhas como pontos de apoio para a esperança.

Mas, fraquejar e conceder, pode fazer nascer uma geração de coitadinhos incapazes de sobreviver ao que virá!

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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