A autoridade e a hierarquia nas escolas num enfoque pedagógico

Colégio FAAP

28 de fevereiro de 2020 | 10h05

Muito material tem sido produzido para a boa gestão escolar. No entanto, em inversa proporção, tem sido olvidada uma abordagem mais pedagógica para essa atividade que não deve ficar confinada às questões financeiras, mercadológicas e de infraestrutura.

Considerando que o “negócio” de uma instituição de ensino é a educação, tudo o que não for voltado para ela será secundário. Evidentemente que, desde sempre, sem saúde financeira, boa gestão de recursos materiais e planejamento, lindos projetos pedagógicos naufragaram. Mas, temos assistido, na medida em que educação se transformou num “bom negócio”, a gestão pedagógica amesquinhada e anulada pelo “negócio”.

Por outro lado, um bom projeto pedagógico, bem gerido, sempre será um “grande negócio”.

O contato ininterrupto com inúmeras instituições de ensino, por mais de meio século, tem nos revelado desvios e excrescências que têm se amiudado e que são reais motivos de preocupação para quem vive para a educação. O verdadeiro projeto pedagógico, que deve permear o todo do organismo educacional, não pode ser comprometido, quer por interferências de caráter burocrático, quer por ruídos no processo pedagógico.

Nesse sentido, o respeito pelo projeto educacional nos permitiu, na FAAP, a superação dos “corsários da educação” e de crises econômicas comprometedoras da saúde de toda a sociedade.

Quando falamos de uma gestão pedagógica, lembramos a necessidade de que toda a escala hierárquica participe ativa e coerentemente do Projeto Pedagógico. Não importando o tamanho da instituição. Diretores e coordenadoras precisam, obrigatoriamente, estar sempre próximos do cotidiano escolar; gabinetes protegidos por secretárias intransponíveis são atestados de uma postura filosófica ultrapassada, pois verticalizada e infensa ao diálogo.

Sem o diálogo franco com a realidade da sala de aula, dos corredores e dos espaços de lazer, a gestão escolar poderá, até, obter lucros efêmeros, mas, dificilmente, produzirá educação honesta. A postura dos gestores escolares traduz a essência de um projeto pedagógico, revela coerência interna ou contradições inaceitáveis.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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