A arte de ensinar Língua Portuguesa

A arte de ensinar Língua Portuguesa

Colégio FAAP

16 de agosto de 2019 | 11h44

*Graziela Bonato Lião

São nove anos de muito aprendizado e constante trabalho. Sim! Meu tempo no Colégio FAAP-SP se confunde com o constante estudo e aprendizado em uma Instituição que não parou e não para no tempo, justamente para oferecer ao jovem criativo e ativo o que há de mais instigante quando tratamos do conhecimento.

Dessa forma, a Língua Portuguesa só faz e tem sentido para o aluno, e também para o professor, quando estudada dentro de um contexto cultural, social, político e econômico, proporcionando aos protagonistas da educação uma reflexão sobre a sua condição de ser social. Ou seja, ensino e aprendizagem voltados para o cotidiano do aluno.

Prof. Graziela: “não há como aprender, compreender e apreender a língua materna sem conhecer as transformações ocorridas nos estudos da linguagem e sem trabalhar com o aluno o mundo de informações a que é emergido constantemente” (Foto: Rafayane Carvalho / FAAP)

 

Em um rápido retrospecto, podemos dizer que o século XX, tanto no seu início, quanto em sua fase final, caracterizou-se por profunda transformação nos estudos da linguagem, o que acarreta em “deliciosa” transformação nas Metodologias do Ensino de Língua Portuguesa. De uma concepção arraigada no historicismo, passamos para uma análise estrutural e daí para a consideração do texto, do discurso, da língua em uso, oferecendo muita liberdade para o professor experienciar a língua materna com o aprendiz nato.

Hoje, não há como aprender, compreender e apreender a língua materna sem conhecer as transformações ocorridas nos estudos da linguagem e sem trabalhar com o aluno o mundo de informações a que é emergido constantemente. Por isso, o professor não é mais o detentor do saber e o conhecimento adquirido na sala de aula só se justifica quando o aluno, objeto do ensino-aprendizagem, apresenta interesse, curiosidade e coloca em prática, no texto, no dia a dia, o seu repertório, o seu conhecimento de mundo.

Tudo isto, ainda, só tem sentido se aliado ao esforço individual da leitura resultando em inferência de ideias, na verificação e na seleção de informações. Para tanto, em 15 anos de docência, nada mais importante que entender a língua como produto de uma sociedade, de uma cultura, de um tempo, de um meio em que se vive. Nela deixaremos marcas por meio da reflexão, da condição de ser social. Esta condição se dá por meio da língua. A língua é, portanto, reflexo da sociedade.

Para mim, uma passagem de “Alice no país das maravilhas” ressalta bem quando o ser compreende a sua linguagem e por conseguinte se compreende: “desde que cheguei a esse mundo, só escuto o que tenho que fazer e quem eu tenho que ser. Já fui encolhida, esticada, esfolada, escondida num bule de chá. Já fui acusada de ser e não ser a Alice certa, mas esse sonho é meu, eu decido o que fazer a partir de agora, eu faço o meu destino.” (CARROLL, Lewis; 1998)

Desfrute sempre do fabuloso mundo da Língua Portuguesa para traçar o seu mundo.

 

* Graziela Bonato Lião é professora de Língua Portuguesa do Colégio FAAP e Mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP

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