2022: planejamento pedagógico de “guerrilha”

Colégio FAAP

17 de dezembro de 2021 | 18h24

Mais do que nunca a Síndrome de Poliana deixa de ser uma fantasia conformista para se consolidar numa forma de sobrevivência inteligente. Em tempos tão sombrios, onde o imponderável domina, onde instituições se esvaziam ou se esboroam, destacar e enaltecer aspectos positivos é ação pedagógica vital.

Se, a cada passo, fomos obrigados a superar turbulências, a dar solução para impasses, a buscar caminhos alternativos para o cumprimento de nosso projeto pedagógico, planejar 2022 está sendo estabelecer uma “estratégia de guerrilha pedagógica”. Há que se ter a segurança de estratégias diferentes e as respectivas táticas; reavaliar as formas diversas de enfrentamento das surpresas vividas e, sobretudo, estabelecer cenários variados e potenciais, nos valendo da certeza.

Assim foi que toda a equipe pedagógica do Colégio FAAP se debruçou na minuciosa análise das experiências deste ano que se encerra para poder projetar nossos objetivos para esses nebulosos cenários que virão. O que a maioria do público leigo não percebe é que, dentre as consequências mais evidentes da pandemia para a educação, muitas outras que não se manifestam mais evidentes trazem efeitos comprometedores.

Nesse sentido lembramos, entre as dificuldades do retorno ao ensino presencial, as defasagens de aprendizado (e não falamos de conteúdos) no que se refere a pré-requisitos, a habilidades intelectuais que, em todos os níveis da educação ficaram comprometidas, quer pelo inusitado do uso de ferramentas informacionais em estado puro, quer pela transição para abordagens híbridas e, desgraçadamente, na multidão de desvalidos que ficaram à margem de qualquer assistência educacional.

Já pudemos avaliar, ainda que de forma incipiente, as dificuldades sociais que o distanciamento provocou enquanto formas “incômodas” na formação de grupos colaborativos, para os trabalhos escolares e para a simples convivência.

Só com uma dose injustificável de insensibilidade conformista é que os atores do processo pedagógico não perceberam um estranhamento cujos efeitos se fizeram sentir mais agudamente nos alunos mais sensíveis ou, de forma geral e com reações diversas, no todo discente. Ignorar que tais situações não comprometerão o processo e aprendizagem é de uma ignorância omissa, atroz e criminosa.

Se planejar, na contemporaneidade, é rever, cotidiana e cuidadosamente, táticas para a preservação dos objetivos essenciais, neste viver de horizontes nebulosos, qualquer passo equivocado, na educação, trará, mais do que nunca, consequências devastadoras.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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