Estudo através de Cubatão, pela 2ª série do Ensino Médio

Colégio Equipe

05 Dezembro 2016 | 07h00

O estudo da região de Cubatão passa pela caracterização do modelo de desenvolvimento que levou à construção do polo industrial e o mantém, de suas consequências socioambientais, das diferentes leituras e respostas dos setores e segmentos sociais envolvidos, da realidade das mudanças tecnológicas nos processos produtivos, da empregabilidade e condições de trabalho, dos desafios quanto à situação energética e ambiental.

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Para esse estudo, em 2016 alunos e professores visitaram a Carbocloro, a usina Henry Borden e o Parque Ecológico do Perequê; conversaram com trabalhadores, sindicalistas, com técnica da CETESB, com o especialista em contaminação do meio ambiente, assessor na Ecel Ambiental, Élio Lopes; entrevistaram lideranças comunitárias e moradores do bairro Fabril, alunos do SENAI e representantes da ACPO – Associação de Combate aos Poluentes Orgânicos Persistentes. Houve ainda um encontro com o Dr. Alfésio Luís Ferreira Braga, estudioso das questões de ambiente e saúde da Baixada Santista e uma aula sobre o SUS, com Ausonia Donato, diretora pedagógica do Colégio Equipe. É significativa neste trabalho a percepção de nossos alunos de como eles também fazem parte desta realidade e que ela se faz presente em cada uma das suas escolhas, inclusive profissionais.

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De volta à sala de aula, com a mediação de conceitos nucleadores das disciplinas envolvidas no projeto, os alunos fizeram diferentes recortes do que foi estudado e desenvolveram um ensaio individual. A socialização do projeto ocorreu com a apresentação e discussão dos trabalhos por alunos e educadores da série, pais e convidados, a partir da organização das dissertações em duas temáticas: Educação, Trabalho e Crítica Social e Meio Ambiente, Saúde e Qualidade de Vida.

Abaixo segue texto introdutório à atividade de socialização, redigido pela aluna Maria Eduarda Duarte de Assis e finalizado pelo conjunto de alunos da 2ª série 2016.

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Estudante

Duda Duarte [1]

“Este ano estudaremos a modernidade” disseram eles, todos os nossos professores, nos primeiros dias de fevereiro. E há poucos dias, quando nos perguntaram quem gostaria de escrever este texto, hesitei, pois não sabia se poderia escrever sobre a modernidade, afinal, o que era?

Talvez seja uma nova forma de ver e se ver no mundo, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, o desejo de ser livre e, na medida do possível, até igual ou fraterno. Mas qual é o sentido da modernidade se o desenvolvimento da tecnologia nos aprisiona, a nova forma de ver o mundo não nos faz fraternos e a ciência, tratada como estudo do outro, acirra a desigualdade? O estudo se dá de forma que o estudioso se torna alheio ao seu objeto de pesquisa.

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Das coisas mais importantes que aprendemos esse ano, acredito que a mais significativa seja investigar as contradições da modernidade, a partir dela mesma.

Aprofundamos o método de pesquisa em Biologia e Orientação Educacional com o trabalho sobre Medicina do Adolescente, partimos do todo – e perceba, não do outro – para entendermos a nós mesmos; a pesquisa e o método científico se tornam formas de criar noções conscientes de si. Já no projeto São Paulo, estudamos as dinâmicas da cidade em que vivemos, pela análise de sua história, ocupação, arte e luta. O áudio visual realizado como trabalho final nesse estudo serve como uma forma de consolidar a nossa visão da cidade, de modo que nos inserimos no meio da metrópole – em seu espaço e pelas pessoas que viveram e vivem nela.

Por outro lado, no trabalho na disciplina de História Geral sobre as entrevistas com trabalhadores sem Ensino Superior cursado, pudemos entrar em contato com o mundo do trabalho para além do que já estamos encaminhados, pois há também a necessidade de sair da esfera do que conhecemos relacionada à experiência própria. A nova visão de mundo, proposta pela modernidade, passa a abranger questões que estão para além da nossa classe, sem deixar de nos colocar como parte desse sistema.

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Nessa equação, o projeto em Cubatão acaba por ser uma reflexão sobre como se colocar no espaço que está para além do meio que se conhece. Pela análise do discurso, observação do espaço, estudo teórico e produção da tese, exploramos os conflitos que se estabeleceram do momento em que chegamos na cidade até o fim do trabalho de campo. Quando levamos a pesquisa realizada para uma esfera macroscópica, pudemos perceber os próprios conflitos da modernidade estabelecidos – no trabalho e industrialização, na maneira cartesiana de ver a saúde, nas percepções de si mesmo e do espaço e principalmente, no desafio de se colocar como parte do próprio estudo.

Análoga à reflexão geral sobre o ano, surge a importância de se ver como estudante e parte de uma categoria social e política; afinal, como nos disse o professor Marlito nas aulas de Filosofia: A terra dos idiotas é o lugar onde as pessoas não dormem pelo medo de que algo aconteça e eles não possam testemunhar; assim, os estudantes deveriam se basear nessa sociedade e serem os idiotas que observam os acontecimentos políticos, sociais e científicos, sem deixar os detalhes escaparem. Logo, a ideia de ser estudante está vinculada a ser observador e questionador.

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Em virtude do que foi mencionado, podemos dizer que os projetos desenvolvidos ao longo do ano, acerca das contradições da modernidade, produzem a noção de estar consciente de si como parte de um todo e como ser social e político. Tornando possível analisar a sociedade em suas estruturas e lidar com elas de forma crítica.

Desta forma, podemos dizer que Cubatão nos permitiu perceber a dimensão do que é ser estudante.

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[1] Maria Eduarda Duarte de Assis é aluna da 2ª série 2016 do Ensino Médio no Colégio Equipe.

Professores responsáveis: Antônio Carlos de Carvalho (Geografia), Eliane Yambanis (História do Brasil), Frederico Barbosa (Redação), Helika Amemiya Chikuchi (Biologia), Lizânias de Souza Lima (História Geral), Marlito de Souza Lima (Filosofia), Roosevelt Kiyohisa Fujikawa (Química), Graça Maria Marino Totaro (Orientação Pedagógica e Educacional).