Abordagem comportamental

Abordagem comportamental

Colégio Elvira Brandão

28 Setembro 2016 | 17h19

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A criança não quer tomar banho ou não entende que é para jogar o lixo na lixeira, o que fazer nessas situações? É o que muitos pais, mães, avós e educadores devem se perguntar quando enfrentam esses momentos. Com 25 anos de experiência trabalhando com crianças, a psicóloga e gestora da Educação Infantil, Vânia Grecco, dá algumas dicas de como aplicar no dia a dia das famílias a abordagem comportamental desenvolvida no Elvira Brandão.

Segundo a gestora, o primeiro passo é o respeito à individualidade. Alguns adultos têm o hábito de chegar querendo abraçar e beijar a criança, um ato que deve ser evitado. Para Vânia, a melhor forma de agir nesse caso é sempre perguntar se ela aceita essa aproximação. “Não insista no contato se a criança não permitir e não se sentir confortável”.

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Outro ponto a que é preciso ficar atento é quanto à postura diante de uma conversa ou interação. “Durante uma conversa com um adulto, a criança sempre conversa olhando de baixo para cima, o que pode fazer com que ela se sinta inibida”, afirma a gestora. Assim, o aconselhável é agir de igual para igual. E, para isso, basta abaixar na altura da criança, mantendo um contato visual e tendo uma escuta ativa, demonstrando empatia e se permitindo ouvir verdadeiramente o que ela tem para lhe falar.

Além disso, há a validação do sentimento e o redirecionamento do comportamento da criança. “Se a criança está querendo subir em uma cadeira que você sabe que pode tombar, não adianta dizer ‘não suba’. Ela está em um momento motor. Aliás, se você falar ‘não’, a vontade vai voltar. Por isso, o conselho é validar e entender que ela deseja fazer aquilo e redirecionar para que ela satisfaça essa vontade de uma maneira segura. Assim, o adulto pode conversar e explicar: ‘eu entendo que você queira subir, mas aqui você pode se machucar, vamos procurar um lugar para subir de maneira segura?’, exemplifica Vânia. “Dessa forma, também, o dizer ‘não’ não fica banalizado”.

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Mais uma atitude importante é a responsividade diante das situações. “Não adianta falar apenas que é para jogar o lixo na lixeira ou que agora é hora de escovar os dentes. Deve-se reforçar a importância desses atos, pois, caso contrário, isso se torna apenas uma ordem e quando não tiver mais o comando, a criança deixa de fazer, ou seja, ela não assimila o real motivo que a leva a executar tal ação”. Nessas ocasiões, a gestora orienta: “em vez da ordem, questione, faça a criança pensar ‘o que podemos fazer para deixar a sala em ordem? o que podemos fazer para deixar os dentes limpos?’ Enfim, mobilize o pensamento”.

Assim como fazer refletir, é essencial também oferecer escolhas, visando, com esse tipo de abordagem, a que a criança se sinta participante da decisão. “Se em determinado momento do dia o banho for uma necessidade, não pergunte à criança ‘vamos tomar banho?’, já que ela não terá a opção de dizer não. Sendo o banho um fato, ofereça outra escolha, a de ele acontecer na banheira ou com os brinquedos, por exemplo”. Complementando essa atitude, sempre ofereça a previsibilidade do que irá acontecer em um momento seguinte. “Com isso, ela terá maior organização interna e noção temporal, o que deixa a criança mais segura e tranquila. Por exemplo, se ela estiver assistindo TV, avise que quando terminar o desenho é hora de ir jantar em vez de fazer uma abordagem abrupta, sem avisos”. Vale lembrar que esses avisos também devem ser feitos com os bebês, nunca subestimando sua capacidade de entendimento.

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De forma geral, Vânia Grecco afirma, “eu sempre falo para as famílias que elas vão precisar exercitar a criatividade nesses momentos, não é fácil, é um exercício”. E, por fim, a mensagem que fica é que a abordagem deve ter como base a cooperação, a firmeza e o respeito mútuo, sempre com reforço na dignidade e na autoestima da criança. Assim, ela é incentivada a adquirir competências que a valorizem, que a tornem mais consciente e responsável no seu comportamento e lhe permitam tornar-se independente. O adulto e a criança devem decidir em conjunto as regras e, de acordo com o grau de maturidade da criança, as soluções para os problemas. No caso de o adulto decidir sem consultar a criança, ele deve ser firme, mas com bondade, dignidade e respeito. Vânia ainda ressalta: ”Quando as crianças experimentam a disciplina com base nesses critérios para uma conduta eficaz, elas entendem que é importante respeitar os outros, se concentram em soluções e se sentem capazes para contribuir”.