A importância do autoconhecimento na juventude

A importância do autoconhecimento na juventude

Colégio Elvira Brandão

05 Setembro 2016 | 16h39

A juventude é uma fase de muitos questionamentos e incertezas, justamente quando mais são cobradas tantas respostas definitivas sobre a vida e a carreira. Para os jovens que estão cursando o Ensino Médio, a angustia se potencializa no segundo semestre do ano, já que as inscrições dos vestibulares começam a aparecer aos milhares e, com elas, vem a pressão de precisar decidir por uma profissão quando se tem só 17 anos, ou seja, muitas vezes sem ter tido tempo de se conhecer ou ter passado por muitas experiências.

Marc Kirst, atualmente com 24 anos, sabe muito bem como é isso e tirou desse momento um incentivo para olhar para si mesmo e buscar do que realmente gostava. Aos 18 anos, ele entrou na faculdade de administração da UFSCar Sorocaba, onde começou sua jornada empreendedora como voluntário no Movimento Empresa Júnior e na AIESEC, mas decidiu pausar sua graduação em 2012. Depois disso se dedicou à competição internacional de empreendedorismo social Your Big Year em San Francisco, EUA, de que foi Vice-Campeão, e fundou o Prove em 2013, um programa que oferece aos jovens ? dos Ensinos Médio e Superior ? um percurso de autoconhecimento para que possam ativar seus potenciais.

O palestrante Marc Kirst falando sobre sua experiência no programa Your Big Year

Em agosto, ele foi convidado a vir ao Elvira Brandão para falar sobre suas experiências de vida, a importância do autoconhecimento e mostrar que a juventude não precisa ? e nem deve ? ser um momento de pressão. Aliás, na visão de Marc, adolescência é, provavelmente, a maior mudança que o ser humano vive durante a vida, já que representa a saída da fase infantil para a fase adulta, em que se torna responsável por sua própria ação e, por isso, precisa-se dar a devida atenção a ela.

“Nessa fase da vida, existem muitas perguntas importantes, profundas e poucos momentos para lidar com elas com a profundidade que elas merecem. Nós estamos em uma sociedade muito voltada e condicionada a só dar atenção para as respostas, então a expectativa sobre o jovem é a de responder: é responder o gabarito certo, é responder que faculdade você vai fazer, com quem você vai casar, o quanto você quer ganhar. São muitas afirmações e pouco questionamento. Então, na correria do estudante, a gente ‘liga o piloto automático’, nos deixando em segundo plano. O que eu gosto muito e o que mais me motiva nesse trabalho é que, em qualquer momento em que eu converso com um jovem, eu valorizo a importância que as perguntas têm”, explica Marc Kirst.

Além do Brasil, Marc já pôde ter contato ? através do Prove ? com jovens da Angola, Espanha, Portugal e Inglaterra, com culturas e realidades socioeconomicamente bem diferentes, mas que tinham as mesmas angustias. “Trabalhei com pessoas que moravam na favela e outras que tinham um helicóptero. Embora as realidades fossem muito diferentes, as perguntas eram as mesmas, porque, afinal, nós somos os mesmos: ‘e se eu decepcionar os meus pais? como eu faço para ser feliz, seguindo meu sonho e ganhando dinheiro? como fazer a diferença no mundo? e se eu não conseguir e o que fizer não for o suficiente?’” eram algumas das questões que ele mais ouviu nesse período.

Alunos do 2º e 3º ano do Ensino Médio do Elvira na palestra

Sua vinda aqui ao Colégio se conectou muito às aulas de Sociologia, como conta o professor André Aly: “Esse semestre começou com um movimento de trazer as questões dos alunos mais à tona, escutando-os mais do que trazendo algo. Assim, a partir do que eles trouxessem, eu estipularia um processo de aprendizado. E o foco foi trabalhar no aspecto ‘como as pessoas se tornam o que são?’. Nesse quesito, a palestra do Marc casou muito bem com o conteúdo que eu estava trabalhando tanto nas aulas do 2º quanto do 3º, a questão do propósito de vida e como a gente é (ou não) influenciado a experimentar”.

No caso de Marc, ele se tornou muito do que é justamente por ter dado atenção às suas angústias e viu no empreendedorismo uma saída para fazer o que queria. Segundo o jovem, “empreender pode unificar seus gostos e talentos. Mas é importante que o empreendedorismo não seja entendido como a única solução. Hoje me incomoda um pouco a moda do empreender, tudo virou empreendedorismo e startup. O empreendedorismo é um caminho, em que existe bastante liberdade. Eu sempre dou uma dica para quem quer empreender: ‘olhe para você mesmo e veja onde estão seus incômodos. Assim você tem muito mais força e motivação para empreender’, e não algo baseado em uma análise de mercado”.

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Visão dos alunos
Para os estudantes, o conteúdo da palestra foi muito rico, possibilitando mudanças de pensamento sobre assunto. A aluna do 2º ano do Ensino Médio, Clara Moreno de 16 anos, afirma que “ficou muito mais leve olhar para essa fase da vida. Ao contar as suas experiências e falar sobre todo o percurso para chegar aonde chegou, ele fez com que ficasse muito mais claro e palpável para a gente (…) Ele passou a entrar em vários cursos e eu acredito que se eu fizer isso e sair do convencional eu vou descobrir o que eu quero fazer. Essa palestra dele despertou algo dentro que mim que talvez seja o que eu quero fazer para minha vida”.

Vitória Rizzo, 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio, conta que a conversa “tirou um peso”. “Nós não temos a faculdade como opção, isso nos é totalmente imposto e ele mostrou que a faculdade é só mais uma escolha”. Além disso, ela ressalta os pontos positivos da abordagem dele: “conversando com meus amigos, nós comentamos que a maioria das pessoas que vêm nos dar palestra acaba tendo um ar de superioridade e nós não sentimos que aquilo está diretamente ligado com a gente. O Marc fez o oposto. Ele chegou brincando, falando de igual para igual”.

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Dinâmica com os alunos durante a palestra

Futuro do projeto
Sobre o Prove, Marc afirma que agora o próximo passo é trabalhar com as famílias. “Cada vez mais queremos falar com os pais, mas é um grande desafio engajá-los na conversa. Do mesmo jeito que para o filho é desafiador esse momento, para a família também é, pois existe aquele pensamento: ‘como agora eu deixo de ser o dono da verdade? O que é ser mãe e pai agora que meu filho é adulto?’”

Atualmente, a gente tem trabalhado muito com a questão de empatia com os jovens. Só por um processo de comunicação empática, em que você se coloca no lugar do outro e compreende de onde vem a crença e as falas do outro, a relação já se suaviza muito, porque senão vira um embate do certo x certo, gerando duas possibilidades: conflito ou submissão do filho à hierarquia dos pais, mas nenhuma tem diálogo. O que nós tentamos promover na relação familiar é justamente o diálogo, é compreender quais são as necessidades do outro”.