A caixa misteriosa e o método científico

A caixa misteriosa e o método científico

CPV Educacional

10 Fevereiro 2017 | 15h56

Grupos movimentam as caixas de várias maneiras para ouvir o que tem dentro

Grupos movimentam as caixas de várias maneiras para ouvir o que tem dentro

Uma série de objetos do cotidiano, uma caixa de papelão lacrada e os conceitos científicos mais básicos: a investigação e proposição de hipóteses. “O que a experiência pretende é mostrar que, na ciência, não podemos afirmar nada sem ter comprovação”, diz Vítor Miranda, assistente pedagógico.

 

A atividade é simples. Em uma aula, os alunos dividem-se em grupos em torno de uma caixa fechada que não pode ser aberta. Com base no que sentem e ouvem do lado de fora, eles devem tentar dizer o que tem dentro. “Foi um trabalho muito legal, eu adoro situações que me deixam curiosa, que aguçam a minha vontade de saber mais”, conta Stella Maris Machado, aluna da 1ª série.

 

Aos poucos eles vão entendendo que mais do que conceitos fechados, o ideal é descrever. Assim, quem fala haste metálica chega mais perto que quem diz chave, mesmo que seja uma chave. “Isso porque pelo peso e barulho pode-se dizer que é um objeto de metal, mas com os recursos oferecidos, não se pode afirmar que é uma chave”, explica Miranda. “No começo a gente achou que tinha uma régua, uma borracha e uma bolinha de gude, depois vimos que as palavras eram outras porque não dava para dizer sem ver, eram objetos compridos, com barulho seco ou que rolava quando movia a caixa”, diz Stella.

 

Experiência questiona todas as certezas sobre o conteúdo da caixa

Experiência questiona todas as certezas sobre o conteúdo da caixa

 

O método científico é visto nas aulas de Ciências do 8º ano e aprofundado nas aulas de Biologia da 1ª série. Além de ajudar a entender por que a Ciência está em constante mudança, já que nada é certo e tudo são hipóteses, ele pode ter um viés filosófico. “Quantas vezes na vida julgamos atos ou pessoas achando que a caixa está aberta quando, na verdade, estamos vendo apenas indícios?”, questiona Miranda.
No experimento, nem mesmo João Tamayo, professor que levou os alunos ao laboratório, sabia o que a caixa continha. E, à exceção de quem montou o kit, ninguém saberá. “Todos precisam ficar com a experiência de inferir hipóteses sem ter a plena certeza e, de preferência, levar para a vida”, finaliza Miranda.

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