Esporte escolar: contribuindo para formação da autonomia do indivíduo

Esporte escolar: contribuindo para formação da autonomia do indivíduo

Colégio Bandeirantes

15 Abril 2015 | 16h09

Nunca se falou tanto em esporte no país como nos últimos anos. Desde 2007, com os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro e com a eleição do Brasil para sediar a Copa do Mundo FIFA 2014 e, posteriormente, com a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o esporte vem à tona.

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Um detalhe chama a atenção, pois já se foram 7 anos, e pouco ou nada se fala do esporte escolar; seu objetivo, sua organização e sua influência para a formação e o desenvolvimento do indivíduo ajuda-o a caminhar na linha da heteronomia até a tão esperada autonomia. Além dos eventos acima citados, também sediaremos, em 2019, a Universíade – Jogos Universitários Mundiais, que é o evento máximo dos esportes universitários. Aí se verifica a importância do esporte escolar, que movimenta milhões de reais atualmente nos colégios, e vem se tornando um diferencial nas escolas que o desenvolvem.

Paralelo a isso, caminha a estrutura que cada instituição oferece para a organização dos eventos. Material, quadras, ginásios com arquibancadas, profissionais específicos para cada modalidade, departamento médico, transporte, organização de competições internas e externas, divulgação de resultados nas mídias, captação de imagens são alguns dos elementos necessários para tal organização. E tudo isso deve estar inserido na logística da vida cotidiana das grandes cidades.

Esse contexto nos mostra a importância que o esporte escolar assume na vida de quem pratica, organiza e convive com ele. Nesse ponto, chamo a atenção para características dele que, com certeza, se bem utilizadas, são ferramentas que irão auxiliar a formação da autonomia do indivíduo. Em primeiro lugar, há a participação em uma equipe, com pessoas de diferentes níveis técnicos e idades, todos atuando pelo sucesso do grupo. Para tal participação, há a necessidade de se passar por uma seletiva. Aí já começa o aprendizado para se lidar com frustrações. Depois vem o treinamento, com toda a exigência física, técnica e cobrança por parte do técnico. Passamos, então, a lidar com o tempo, que é cruel em alguns momentos e implacável em outros, pois, quando o cronometro é zerado, não há mais a ser feito.

Todos esses detalhes são escolhas dos alunos, desde o esporte que praticarão, sua especialidade, o horário, a frequência do treinamento e as competições. Vale a pena participar dessa atividade, abrir mão de tantas coisas em prol do grupo? Essa decisão é amparada pela família, pelos técnicos e colegas; pela grandeza da situação, fica claro que interfere de modo fundamental na formação do indivíduo que opta por conviver com esse cotidiano esportivo.

Quem já teve a oportunidade de ver a transformação em uma família, na qual o jovem começa a competir com seus 10 ou 11 anos, sabe do que falo.

O esporte escolar não é para todos. Por isso, as pessoas que participam dele devem aproveitar ao máximo a oportunidade, entregar-se de corpo e alma e conquistar os benefícios que só o esporte é capaz de propiciar.

Carlos Alberto De Simone
Sub Coordenador do Departamento de Educação Física e Esporte
Colégio Bandeirantes