Educação, Disrupção e Tecnologia

Educação, Disrupção e Tecnologia

Colégio Bandeirantes

11 Março 2016 | 12h50

Por Emerson Bento Pereira
Inovação e disrupção parecem ser as palavras do momento em diversos setores. Com a educação não é diferente.
Empresas como Uber e 99Taxi mudaram a lógica de transporte individual nas grandes cidades. O Waze tirou a necessidade de comprarmos um GPS. O iTunes e o Spotify também causaram disrupção no mercado fonográfico. A Netflix mudou nosso jeito de assistir filmes. Será que a onda disruptiva atingirá as escolas?
Como todos nós passamos pelos bancos escolares, usamos nossas lembranças para avaliar a escola, e quando a avaliamos hoje tomamos como base as de ontem. Mas elas evoluíram muito nos últimos vinte anos. No passado as diferenças entre os Colégios pareciam ser mais marcantes. Existiam até acirrados debates contrapondo um ensino mais “conteudista”, pautado pelos exames vestibulares, contra o “humanista”, supostamente mais focado no indivíduo. Naquele momento as escolas estavam em pontos distantes, agora elas estão cada vez mais próximas. Se antes umas eram azuis e outras amarelas, hoje temos muitos tons de verde e algumas poucas azuis e amarelas.
livro
Para alguns estudiosos de inovação disruptiva, quanto mais estandardizada uma situação, mais suscetível à disrupção ela está. O que nos leva a crer que esse fenômeno no mercado educacional poderá realmente acontecer. Os educadores mais atentos olham para esse cenário e tentam adivinhar onde e quando a onda disruptiva vai quebrar e vão preparando suas pranchas para surfar. Outros preferem ser vento e ajudar a onda a quebrar, são os empreendedores educacionais.
Nunca tivemos tanta gente boa empreendendo no aprender. Pensando em como ajudar o aluno a aprender. O número de startups se multiplica a todo momento. Pessoas que saem do mercado financeiro para pensar em educação, pessoas que começam suas carreiras pensando em ser gestores educacionais e educadores que há anos hackeiam o modelo atual de dentro da escola. Este é um movimento bastante recente que traz um novo tempero para o nosso setor.
Muitos educadores questionam se a tecnologia será o principal agente disruptivo na educação. Não, o principal agente disruptivo serão os educadores. Ao mesmo tempo, a educação não sofrerá um processo de disrupção sem a tecnologia. Colocar a tecnologia dentro das salas de aula de hoje e esperar que a educação mude é um devaneio. Temos que pensar em que educação queremos ter e quais os instrumentos, tecnológicos ou não, usaremos para atingir nossos objetivos.
Não é fácil, mas se fosse o mundo não precisaria de nós. Ele estaria pronto!
No Bandeirantes começamos a trazer os equipamentos mobile como material didático obrigatório para os alunos dos 6os. 7os. e 8os.  anos. Em breve, isso se estenderá para todas as séries. Instalamos uma rede wifi confiável, robusta e democrática. Em boa parte do dia, temos mais de 1.700 mobiles conectados à nossa rede ao mesmo tempo. Nossos professores estudam diariamente para usar os recursos tecnológicos e o Colégio investe para que discutam com alunos sobre ética e cidadania digital. Trabalhamos com apostilas e livros digitais, Apps, Games e acesso liberado à Internet. Miramos permanente na melhor qualidade possível do ensino, e por isso decidimos ser um agente disruptivo, e não esperar a onda quebrar.

Emerson Bento Pereira
Diretor de Tecnologia Educacional do Colégio Bandeirantes
Membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro