A Importância dos Pais na Superação dos Resultados Acadêmicos dos Filhos

A Importância dos Pais na Superação dos Resultados Acadêmicos dos Filhos

Colégio Bandeirantes

05 Julho 2015 | 12h26

Do 6.º ano do Ensino Fundamental à 3.ª série do Ensino Médio, o Departamento de Orientação Educacional

acredita que…

O resultado acadêmico, muitas vezes tão esperado por pais e alunos, pode ser motivo de grande conflito pessoal e familiar. Nem sempre os resultados são satisfatórios. Em alguns casos, estão até mesmo abaixo da média estipulada pela escola; em outros, estão abaixo do esperado por pais e alunos.

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A necessidade de recuperar as notas, ou melhorar o desempenho, vem muitas vezes contribuir para uma mudança da rotina. Entretanto, nem sempre essa mudança acontece de forma saudável. É importante que o aluno tenha uma rotina que efetivamente contribua para o seu desenvolvimento. Exemplo disso, uma alimentação saudável, horas de sono adequada, lazer, que irão se compor com o cumprimento dos deveres escolares e estudos. Não é indicado, ao contrário, que o aluno diminua suas horas de sono para ter mais tempo de estudo. É sabido que a privação do sono tende a gerar estresse, com sintomas físicos e emocionais, que acabam dificultando o aprendizado. Pesquisas tem mostrado que o sono é necessário para se obter uma boa memória. Por isso é tão importante que o aluno, com ajuda da família, tenha uma rotina e um planejamento de estudo. Entretanto, ir em busca da superação, da conquista por novos resultados, da maior eficácia, no caso as notas obtidas, exige pressupostos: torna-se imprescindível a Motivação. Estar motivado e com disposição para estudar mais e melhor não irá, simplesmente, surgir do nada.

“[…] Mudamos quando descobrimos o que há de melhor em nós e quando percebemos maneiras especificas de usar mais as nossas forças pessoais”. SELIGMAN, 2012, p.72.

É a forma como os resultados são interpretados que podem ou não contribuir para o surgimento e desenvolvimento dessa tão almejada e necessária motivação. Segundo o modelo cognitivo, desenvolvido por Aaron Beck no início da década de 60, é a forma como pensamos sobre a situação que nos leva a determinada emoção e comportamento. Portanto, diante de um resultado insatisfatório, como isso será interpretado pelo aluno e pela família poderá contribuir ou não para novas conquistas. Por exemplo; se o aluno interpretar o resultado negativo como: “eu não sou capaz, nunca conseguirei ir bem, serei reprovado”, ele provavelmente ficará triste, desmotivado e terá comportamento, muitas vezes, de fuga e esquiva diante dos estudos. Mas se o aluno apresentar interpretação mais específica e temporária como: “não fui bem neste bimestre, não fui bem nesta disciplina, de fato não estudei o suficiente”, então, sim, ele terá condições de identificar a necessidade na mudança de comportamento e desenvolver novas estratégias. Para obter a realização do que deseja, irá necessitar do esforço maior e, para isso é imprescindível acreditar, ter crenças positivas, que vão ajudá-lo no enfrentamento do novo processo. E neste momento a ajuda dos pais é imprescindível! Ao identificar um resultado negativo ou insatisfatório, os pais podem ensinar o filho a pensar de forma mais funcional. Martin Seligman, autoridade mundial em psicologia positiva, diz:

 “[…] Nossos pensamentos não são meramente reações aos acontecimentos; eles modificam o que sucede. Se nos julgarmos, por exemplo, sem condições para influir no destino de nossos filhos, ficaremos paralisados quando tivermos de enfrentar essa faceta de nossas vidas.  A ideia de que “Não adianta fazer nada” tolhe nossos movimentos, impede-nos de agir. Se superestimarmos nossa incapacidade, outras forças assumirão o controle e modelarão o futuro deles”. SELIGMAN, 2005, p. 29.

É importante que o aluno consiga diante das adversidades dos resultados encontrar apoio familiar, que vai ajudá-lo a compreender melhor o seu desempenho acadêmico e superar suas dificuldades.

Segundo FABER a forma como os pais expressam o que pensam dos filhos irá influenciar suas emoções e comportamentos […] (FABER, 2003, p.229).

Os filhos necessitam de um olhar realista, porém mais otimista, por parte dos pais. Olhar este, que os ajudem a desenvolver estratégias funcionais de enfrentamento.

“[…] Uma criança pode ter tudo o que quer e, ainda assim, ter uma vida mental melancólica. No final das contas, o que importa é o quanto de positividade existe dentro de sua cabecinha. Quantos bons e maus pensamentos lhe ocorrem a cada dia? É impossível sustentar um estado de espírito negativo em meio a memórias, expectativas e crenças positivas, assim como é impossível sustentar um estado de espírito positivo na presença de grande número de pensamentos negativos”. SELIGMAN, 2004, p.250.

Isso não significa entender tudo de forma positiva. Significa não ter pensamentos eminentemente negativos, fazer atribuições mais funcionais, que possam contribuir para novo desempenho e prevenir possíveis transtornos emocionais. Desta forma, ensina-se a resiliência, que ajuda na superação dos momentos de crises e adversidades. A resiliência tem sido, nos últimos anos, tema de pesquisa e estudos, sendo uma das habilidades mais desejadas para o novo século.

Segundo YUNES vários autores em seus estudos sobre resiliência no indivíduo, mostraram a influência de relações com pessoas significativas e próximas como apoio na superação das adversidades da vida […] (YUNES, 2003, p. 81).

Entendemos portanto, que a resiliência pode ser aprendida. E que a forma como os pais expressam o que pensam dos filhos diante dos resultados acadêmicos, poderá contribuir para um melhor enfrentamento de uma situação supostamente negativa.

Compreendemos assim, que o apoio familiar seja contributo insubstituível para compreensão adequada dos resultados acadêmicos dos seus filhos, fator definitivo para a superação das dificuldades.

Vera Malato
Coordenadora do Departamento de
Orientação Educacional

 Lúcia Costa Maiochi
Orientadora Educacional
6.ºs anos -Ensino Fundamental

 Terezinha Di Giulio
Orientadora Educacional
3.ªs séries – Ensino Médio

BIBLIOGRAFIA

BECK, Judith. Terapia cognitiva: teoria e prática / Judith S. Beck; tradução de Sandra Costa. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

FABER, Adele. Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar/ Adele Faber, Elaine Mazlish; tradutoras Adri Dayan, Dina Azrak, Elisabeth C. Wajnryt – São Paulo: Summus, 2003.

SELIGMAN, Martin E. P. Felicidade autêntica: Usando a nova psicologia positiva para a realização permanente/ Martin E. P. Seligman, tradução de Neuza Capelo. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

SELIGMAN, Martin E. P. Aprenda a ser Otimista / Martin E. P. Seligman; tradução de Alberto Lopes – 2.ª ed. – Rio de Janeiro: Nova Era, 2005.

SELIGMAN, Martin E. P. [recurso eletrônico]: Florescer – uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar/ Martin E. P. Seligman; tradução Cristina Paixão Lopes – Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.recurso digital

YUNES, Maria Angela Mattar. Psicologia Positiva e Resiliência: o foco no indivíduo e na família. Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v. 8, num. esp., p.75-84, 2003.