Os saberes multifacetados nas águas da História

Os saberes multifacetados nas águas da História

Colégio Anglo 21

05 Abril 2017 | 09h32

* Por Raphael Amaral (Tim)

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“Os espelhos só funcionam quando recebem luz, qualquer que seja ela, e todavia podem nos mostrar as coisas de maneiras novas” (Julian Bell)

 

“As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis. Elas desejam ser olhadas de azul – Que nem uma criança que você olha de ave.” (Manuel de Barros)

 

O ambiente escolar permite articular o que há de mais recente na produção historiográfica com formas inovadoras de ensino. Ele possibilita a construção de novos caminhos para as relações de aprendizado e ensino, fomentando olhares diferenciados sobre conhecimentos considerados cristalizados. Em História, por exemplo, nas aulas estruturadas a partir de diálogos com os estudantes expondo seus saberes adquiridos previamente, eles apresentam quais são suas próprias visões sobre as sociedades do passado. A partir disso está aberto um campo extremamente fértil para trabalhar temas através de formas que vão além dos monólogos expositivos mais tradicionais.

Nesse aspecto, é interessante observar como as trocas culturais entre diferentes civilizações, por meio das circulações de diferentes modos de pensar que se retroalimentam e contribuem ao mútuo desenvolvimento, expressando cosmovisões, símbolos de poder e identidades multifacetadas, configuram um dos temas mais importantes nos debates acerca do mundo contemporâneo.

Trata-se de um assunto também presente quando o pensamos a História da Antiguidade. Ao dissolver as interpretações fossilizadas que separam entre Ocidente e Oriente nesse período, podemos apontar para as integrações e negociações que possuíam o Mar Mediterrâneo como palco principal, investigando quais as rotas possíveis de serem navegadas na articulação entre Vênus de Milo e Nefertiti; ou entre a epopeia de Ulisses e a saga de Gilgamesh; as viagens de Pitágoras e de Heródoto ao Egito e qual era a forma como a racionalidade se desenvolvia também às margens do Nilo; as influências do teatro mesopotâmico sobre Creta, Micenas e, consequentemente, sobre Atenas.

A produção historiográfica por si só frequentemente recai na limitação excessiva de seu alcance devido à utilização de linguagens excessivamente fechadas, moldadas em códigos que somente são decifrados por pessoas que participem dos universos acadêmicos. Por outro lado, as atividades pedagógicas desenvolvidas no ambiente escolar possibilitam uma abrangência maior do conhecimento produzido por historiadores. A abertura de novos horizontes epistemológicos pode ser iniciada por meio de abordagens diferenciadas, ao trazer as pesquisas historiográficas mais recentes ao Ensino Médio e fazer dos diálogos entre professores e estudantes uma das maneiras mais saudáveis de pensar o mundo contemporâneo globalizado a partir dos intercâmbios entre as civilizações do passado, privilegiando a aventura de novas rotas em vez da construção de muros.

 

Sugestão bibliográfica:

BERNAL, Martin. Black Athena: The Afroasiatic Roots of Classical Civilization. Austin: Rutgers University Press, 2002.