Aulas de Educação Física devem ter propósito pedagógico bem definido

Aulas de Educação Física devem ter propósito pedagógico bem definido

Colégio Anglo 21

03 Agosto 2016 | 15h14

* Por Luís Henrique Vasquinho

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A Lei de Diretrizes e Bases (1996), ao definir os objetivos gerais para a educação básica, propõe o “desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição   de conhecimentos   e   habilidades   e   a   formação   de atitudes e valores. Essa proposição define que todas as disciplinas eleitas para compor a grade curricular escolar devem “ensinar algo” nesse sentido. E um dos grandes dilemas da Educação Física escolar é isso: o que ensinar nas aulas? Quais são os conteúdos necessários? Ensinar a jogar algum esporte é papel da disciplina?

 

Ao analisarmos a história da Educação Física no Brasil, percebemos uma fase de grande associação da disciplina com o esporte. Houve um estímulo às práticas esportivas com o intuito de se formar atletas ou futuros campeões. Mas a vida no esporte, ao contrário da educação, não é para todos e esses objetivos levaram a aulas que estimulam a competição e a exclusão.

 

No Anglo 21 a Educação Física é considerada um componente curricular, assim como as outras disciplinas. Tem o seu objeto de estudo definido, que é o estudo do movimento humano, com objetivos claros, que são os de viabilizar aos alunos a aprendizagem de conhecimentos específicos sobre o movimento humano que lhes permita a utilização de todas as suas potencialidades para movimentarem-se de forma habilidosa e capacitá-los para agir no meio em que vivem, na busca de benefícios para a sua qualidade de vida.

 

Os conteúdos são divididos em blocos, que incluem as capacidades físicas, que são características que nossos movimentos apresentam, como força, velocidade, flexibilidade, resistência, entre outras; as habilidades motoras, que são movimentos que aprendemos, desde aos mais simples, como o andar, correr, segurar empurrar, até os mais específicos, como o sacar, arremessar, dedilhar ou digitar; as estruturas corporais, que são os componentes do nosso corpo, como ossos músculos, articulações, e o seu funcionamento quando realizamos movimentos; e o relacionamento com o ambiente físico e social, que inclui movimentar-se em diferentes locais, como na praia, na montanha ou numa cidade e aprendizagem sobre os movimentos como manifestação de nossa cultura.

 

Todas as aulas são planejadas com objetivos, estratégias e avaliações, compondo o plano de ensino da escola. Os alunos são submetidos a provas para avaliar conceitos e as atividades práticas têm uma finalidade pedagógica, inclusiva e não competitiva.

 

Uma análise superficial poderia supor que as aulas são em sala de aula, com os alunos sentados assim como nas outras disciplinas, o que não é correto. A proposta segue em duas frentes importantes: a primeira refere-se à mudança de foco. Em termos práticos, os alunos experimentaram o futebol para aprender sobre equilíbrio, força ou velocidade; para perceber o aumento da frequência cardíaca ou da temperatura corporal, para perceber as diferenças entre jogar futebol na escola, no parque, com sol, no frio, na praia ou no corredor do seu prédio ou casa; para compreender o futebol como uma manifestação cultural de grande impacto em nossa sociedade, mobilizando e influenciando multidões.

 

A segunda refere-se à consciência do aluno ao se movimentar. Ao aprender sobre o movimento humano nas aulas de Educação Física, ele passa a compreender e refletir sobre seus movimentos no dia a dia e as aulas passam a ter sentido e significado para a sua vida, tornando-se integralmente educado para a Educação Física.

 

* Luís Henrique Vasquinho é coordenador do Ensino Fundamental II do Colégio Anglo 21 e autor dos materiais didáticos de Educação Física do Sistema Anglo de Ensino