O Relatório PISA incluirá a avaliação da língua inglesa a partir de 2025. Como isso reflete no Brasil?

Nathalia

22 de janeiro de 2021 | 16h39

A cada três anos cerca de 60 mil alunos de 15 anos em todo o mundo passam por uma avaliação abrangente e objetiva de resultados educacionais atualmente com foco em três disciplinas-chave: matemática, ciências e leitura. Os resultados originam o relatório PISA (sigla, em inglês, de Programme for International Student Assessment, ou Programa Internacional de Avaliação de Alunos em português). Seus resultados fornecem dados que ajudam os países a melhorar as suas políticas educacionais e os resultados escolares. E essa discussão é de extrema importância para todos os envolvidos nesse contexto: de diretores, coordenadores e professores, passandopor pais e alunos, e até mesmo secretários e ministros da educação.

As escolas são escolhidas aleatoriamente para essa iniciativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Brasil é uma das nações participantes. Na última edição, cujos resultados foram conhecidos em dezembro de 2019, o País figurou em 57º lugar dentre as nações do mundo – duas posições acima do resultado de 2015. E essa medida permite algumas reflexões e movimentações para que se busquem os objetivos estabelecidos para o tema.

Por exemplo, a Finlândia caiu de posição depois que reduziu a importância das avaliações, para priorizar outras habilidades. O Qatar tem PIB per capita de país desenvolvido, mas baixo desempenho no Pisa possivelmente por conta da alta desigualdade social. Já a Nova Zelândia, após uma forte queda, implantou programas para reduzir a desigualdade educacional.

E com as exigências cada vez maiores de uma educação internacional e a formação de cidadãos globais, a novidade é que em 2025 as competências em línguas estrangeiras integrarão o relatório por meio de provas que serão desenvolvidas por Cambridge Assessment English para a OCDE para que seja possível a comparação dos níveis de inglês em escolas de todo o mundo, assim como o acompanhamento do progresso e a identificação de melhores práticas do ensino e aprendizagem de idiomas.

Essa missão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em contribuir para a sociedade por meio da busca pela educação, aprendizagem e investigação nos  mais elevados níveis internacionais de excelência é partilhadas por nós desde o início da nossa existência, há mais de 100 anos. E vemos esse momento como desafiador para o Brasil, mas também como uma possibilidade de transformação.

No mundo de hoje é importante poder se comunicar em mais do que uma língua.A aprendizagem de outros idiomas é uma ferramenta poderosa para facilitar a cooperação global e a compreensão intercultural e para descobrir formas novas e inovadoras de se pensar e trabalhar.

Os governos têm colocado uma ênfase crescente no ensino de línguas estrangeiras; os pais já reconhecem a importância do inglês na construção de um melhor futuro para as crianças; as escolas passaram a se debruçar mais em conhecer os benefícios dos métodos bilíngues ou mesmo dos programas estruturados de línguas; as instituições de ensino superior despertaram para a possibilidade da internacionalização em casa. Entretanto, ainda é restrita a oferta e o acesso a currículos e propostas mais inovadoras, que colocam os alunos em um papel de protagonista no desenvolvimento de habilidade e competências para que se preparem para construir um novo mundo.

Ao comparar o ranking atual do PISA é fácil visualizar que os países que investem seus recursos e forma mais inteligente no segmento e que capacitam e valorizam a figura do professores desempenham muito melhor. Nesse quesito, a Ásia é destaque: China, Singapura, Macao e Hong Kong conquistaram as quatro primeiras posições em 2018. Por outro lado, também vemos o reflexo dos insucessos globais.

Todo esse contexto nos ensina algo enquanto nação. Para o nosso crescimento precisamos ampliar a discussão de qualidade de educação, nos conectar com esse propósito do novo mundo, encontrar soluções que dêem suporte para se preparar para as necessidades que já se mostram latente e planejar a mudança de uma realidade que herdamos de décadas passadas. Recentemente estivemos envolvidos com a implementação do inglês na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), quando pela primeira vez ele passou a ser obrigatório nas escolas brasileiras. Agora, que já temos o norte, precisamos rumar não apenas para a conquista de melhores posições no PISA, mas sim para os efeitos de progresso que isso gera aos cidadãos.

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