O ensino da língua inglesa no Brasil

Nathalia

22 Junho 2017 | 16h47

Cada vez mais a língua inglesa recebe atenção dos gestores educacionais, dos professores e da sociedade em geral por representar uma necessidade latente, seja para o universo profissional, seja para uma melhor imersão no mundo globalizado.

O inglês é o idioma mundial dos negócios, da cultura e das ciências, é a língua mais falada do mundo na soma de falantes nativos e pessoas que a usam como segundo idioma e é, muito provavelmente, por meio dele que um brasileiro vai aplicar a um processo seletivo para ingressar em uma universidade no exterior ou fazer acordos e se comunicar com pessoas das mais variadas nacionalidades.

Nós vemos no mercado diferentes iniciativas, métodos e programas que buscam a eficiência do ensino. Mas, também observamos que, no final deste processo, ainda são poucos os brasileiros que conseguem atingir seus objetivos e se comunicar com desenvoltura, dentro do nível pretendido.

O Brasil despertou mais tardiamente para a questão do inglês no currículo educacional, mas estamos vendo esse movimento com representatividade atualmente. Em ato recente, o Ministério da Educação (MEC) fez mudanças importantes na base educacional nacional e tornou o idioma obrigatório a partir do sexto ano do Ensino Fundamental. A norma passa a valer em 2019 e reforça a necessidade de pensar a língua como estratégica frente ao mundo globalizado que vivemos e que as crianças de hoje viverão no futuro.

Isso gerará impacto em diferentes aspectos da cadeia educacional, como, por exemplo, a capacitação dos professores. Ter profissionais preparados para lecionar inglês é um dos pontos primordiais para se alcançar a eficiência no processo de ensino da língua estrangeira e atingir a proficiência dos alunos.

Isso porque, professores melhor preparados, qualificados e ambientados com o inglês tendem a trabalhar o aprofundamento necessário para que os alunos tenham uma base sólida do conhecimento, que irá amparar seu uso por toda a vida. Essa base depende de mais uma série de questões alheias ao professor, mas a necessidade do preparo é inquestionável nesse contexto para evitar a réplica do inglês curricular básico que é oferecido nas escolas de modo geral.

Sem essa qualificação e sem o investimento e suporte necessários para a educação continuada, dificilmente a disciplina será trabalhada de modo profundo e que contemple a exploração de todas as habilidades necessárias. Isso ocasiona uma situação recorrente no país que é o aluno finalizar um curso de inglês, por exemplo, e não se sentir confortável e pronto para falar e colocar em prática o que deveria ter sido aprendido.

O elo entre essas duas situações está justamente na estrutura de aula. Para que um profissional coloque em prática atividades que extrapolam a leitura e que priorizam o desenvolvimento da capacidade de entender áudios ou da comunicação oral é necessário que ele sinta segurança no seu nível de domínio do idioma e das técnicas de ensino. Se esse suporte não for fornecido, a consequência é que sem estímulo, o aluno não se sente motivado a praticar ou a ir além dos seus desafios e esse cenário torna-se cíclico.

Para apoiar essa mudança, será necessário também evoluir o conceito que a nossa cultura tem sobre avaliação. Nós ainda lutamos para encontrar o caminho certo na atual prática educacional para medir e relatar resultados e será necessário repensar pontos como por que devemos avaliar, o que avaliar e como avaliar para coletarmos dados sobre os resultados do processo de ensino e aprendizagem em uma instituição no dia a dia para promover mudanças mais rapidamente caso o programa não esteja fluindo da forma esperada. Esse processo de monitoramento deve fornecer informações que nos permita fazer alterações importantes ao longo do percurso.

Enquanto o progresso caminha, é importante estimular a discussão sobre o nosso processo de educação e seus caminhos envolvendo todas as partes que o compõe, desde os gestores, passando pelos professores, pelos alunos e pelos pais. É primordial que todos se alinhem para não mais aceitar o “Falar Inglês” como resultado e para buscar ferramentas que apóiem a formação clara e precisa do desempenho individual de cada um, que será colocado à prova na competitividade do mundo adulto. Se estamos envolvidos no ensino, seja da forma que for, então somos todos responsáveis