Em dia de expectativa, Vélez é chamado ao Palácio pela 4ª vez, mas governo diz que ele fica

Em dia de expectativa, Vélez é chamado ao Palácio pela 4ª vez, mas governo diz que ele fica

Renata Cafardo

15 de março de 2019 | 17h27

O ministro da educação, Ricardo Vélez Rodríguez, esteve nesta sexta-feira no Palácio do Planalto pela quarta vez em uma semana. Informações durante todo o dia indicavam que ele poderia ser afastado nesta sexta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, no início da noite, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou a Vera Magalhães que Vélez fica. Segundo fontes, a falta de consenso sobre um substituto teria adiado o anúncio da demissão do ministro pelo governo.

Desde a semana passada, Vélez enfrenta uma disputa entre grupos rivais dentro do Ministério da Educação (MEC). Segundo o BR18, a Casa Civil sequer aprovou a nomeação de Iolene Lima, diretora de uma escola batista evangélica em São José dos Campos, para a secretaria executiva da pasta, indicada ontem pelo ministro. Em uma semana, sete pessoas foram demitidas do MEC.

Representantes do DEM, da bancada evangélica e dos militares têm indicado nomes. Um dos que está forte é o do ex-ministro Mendonça Filho, mas seria mais um ministério para o partido. Seu nome foi indicado para Rodrigo Maia para que ele fale com Bolsonaro.

Enquanto isso, integrantes da bancada evangélica fazem o mesmo com Anderson Correia, que foi reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e é o atual presidente da Capes. Ele é evangélico e tem um currículo acadêmico sólido. É formado em Engenharia Civil pela Unicamp e tem mestrado pelo ITA. O doutorado em gestão de aeroportos foi feito no Canadá. O deputado Marco Feliciano (Podemos), no entanto, disse que Correia não é um nome indicado pela frente evangélica.

Fala-se também novamente no nome do senador Izalci Lucas (PSDB), autor do projeto conhecido como Escola sem Partido. Já os militares têm defendido Carlos Alberto Decotelli, atual presidente da FNDE, que cuida das compras de livros didáticos e transportes dentro do MEC.  Ele é economista, doutor em administração financeira e fez parte da equipe de transição do governo.

Segundo informações do fotógrafo do Estado Dida Sampaio, na volta ao MEC, o motorista retirou o veículo da portaria da entrada privativa e o levou para um estacionamento público. Ele ainda retirou as placas oficiais do carro, deixou uma comum, e voltou ao ministério por uma outra portaria. Por volta das 20 horas, o motorista pegou Vélez em uma porta lateral, despistou a imprensa e foi embora sem dar declarações.

Motorista do MEC troca placa do carro de Vélez. FOTOS; DIDA SAMPAIO/ESTADAO

No início da noite, no Twitter, Vélez reclamou da imprensa: “A mídia cumpriria seu papel com os cidadãos deste país se sua real preocupação fosse informar. Qual o interesse de vocês em fomentar uma atmosfera apocalíptica? Torcer pelo sucesso do Governo é uma opção, mas vocês querem manchetes escandalosas”.

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