Responsável pelo ensino básico no MEC pede demissão

Ilona Becskeházy, ex-comentarista da rádio CBN e consultora de educação, assumirá o cargo. Segundo fontes, Janio Macedo sentia que não tinha autonomia

Renata Cafardo

09 de abril de 2020 | 13h41

O secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Janio Macedo, pediu demissão nesta quinta-feira. Ilona Becskeházy, ex-comentarista da rádio CBN e consultora de educação, assumirá o cargo.

Ilona já vinha se posicionando fortemente a favor da atual gestão do MEC em redes sociais, onde defendia políticas do governo Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Ela é mestre e doutora em política educacional, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e pela Universidade de São Paulo. No ano passado, participou da Conferência Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Conabe), feita pelo MEC. As pesquisas em educação de Ilona são justamente sobre o modelo de ensino e alfabetização em Sobral, no Ceará.

O MEC anunciou a saída de Macedo nesta tarde e a substituição por Ilona. A informação oficial é que ele deixou a pasta por questões pessoais

O secretário de ensino básico é um dos cargos mais importantes no órgão porque cuida justamente dos projetos e da interlocução com Estados e municípios, responsáveis pelas escolas públicas do País.

Segundo o Estado apurou, Macedo estava incomodado com a postura do ministro Abraham Weintraub há pelo menos 6 meses. Apesar de não ser da área da educação – ele é concursado do Banco do Brasil – era o único visto como “bem intencionado” por secretários de educação e outros especialistas da área. A demissão causou preocupação de que alguém com perfil ideológico e menos técnico seja agora colocado no cargo.

Ilona era uma profissional respeitada na educação durante anos, dirigiu a Fundação Lemann,  mas começou a ser vista com desconfiança depois de passar a defender publicamente ações da atual gestão do MEC. Um exemplo foi o programa de escolas cívico-militares, criticado pela maioria dos especialistas por atender um grupo pequeno de estudantes e ter ensino baseado no rigor. Nos bastidores, muitos têm dito que ela pretende chegar ao cargo de ministra, algo que Ilona negava.

Fontes informaram que Macedo não mais aguentava as demandas da pasta, inclusive sobre pedidos de mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Ele não tinha autonomia para fazer e falar nada sem passar pela filtragem ideológica e política do ministro Weintraub”, diz uma fonte ligada ao ministério.

O ministro Abraham Weintraub que perdeu mais um de sua equipe (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Macedo é formado em Direito e já exerceu vários cargos executivos no Banco do Brasil, como diretor de varejo e diretor-presidente da BB Previdência. A reportagem o procurou, mas não obteve resposta.

Essa é mais uma mudança no instável ministério da Educação que recentemente trocou também seu secretário de Educação Superior, Arnaldo Lima. 

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