Professora que tem diploma falso admite que não foi aluna de Harvard

Professora que tem diploma falso admite que não foi aluna de Harvard

Conhecida pela história de superação - que deve virar filme - Joana D'Arc Felix de Sousa usou documento falso para confirmar formação em instituição americana

Renata Cafardo

15 de maio de 2019 | 09h29

A professora de ensino técnico Joana D’Arc Félix de Sousa divulgou nota na manhã desta quarta-feira, 15, dizendo que o Estadão quer “denegrir” a sua imagem. No mesmo texto ela admite que não foi aluna da Universidade Harvard nem concluiu seu pós-doutorado na instituição, como vinha repetindo há alguns anos. O Estadão publicou ontem reportagem em que revelou que Joana não foi formada em Harvard e que apresentou um diploma falso para provar o pós-doutoramento.

Nos últimos anos, Joana recebeu dezenas de prêmios - Foto: Alex Silva/Estadão

Nos últimos anos, Joana recebeu dezenas de prêmios – Foto: Alex Silva/Estadão

“Tudo o que foi publicado, já está sendo apurado por um advogado ligado ao movimento negro brasileiro porque tenho certeza que ainda estão achando que os negros (as) ainda tem que viver na senzala (sic)”, diz a nota da professora. “Não tenho o pós doutorado concluído e por isso, não tenho o diploma de pós doutorado e muito menos diploma falso (sic)”, continua.

Ao ser confrontada pela reportagem, Joana disse esta semana que o diploma enviado ao Estadão foi feito para uma encenação. Trechos da entrevista da professora podem ser ouvidos no podcast do Estadão, que conta os bastidores da reportagem de hoje.

O documento foi submetido à Harvard e a instituição confirmou que não emite esse tipo de diploma. O professor emérito de Harvard Richard Holm, cujo nome está no documento enviado por Joana, também confirmou à reportagem que a assinatura não é dele e que nunca ouviu falar da professora.

Em entrevista ao Estado, Joana também afirmou ter sido convidada para Harvard pelo professor americano William Klemperer, considerado um dos mais eminentes pesquisadores da área Físico-Química. Ele morreu em 2017.

Segundo o professor titular de Físico-Química da USP, Paulo Sergio Santos, porém, a área de Klemperer “não tinha absolutamente nada a ver” com o que pesquisa Joana (química orgânica). Ele explica que Klemperer era um físico-químico e fazia um estudo muito fino de estrutura molecular, com altíssima precisão.

Para Santos, por causa da concorrência por vagas de pesquisadores do mundo inteiro, a chance de uma pesquisadora de área diferente do orientador ser convidada é “quase zero”. “Harvard está em primeiro lugar sempre, principalmente em química e física, é só contar o número de prêmios Nobel de lá.”

Filme

A biografia de Joana estava prevista para virar filme, em produção anunciada pela Globo Filmes no mês passado. Ela ganhou notoriedade por uma história de superação: nasceu numa família muito pobre e teria chegado à universidade mais conceituada do mundo.

A atriz Taís Araújo faria o papel da professora, mas desistiu alegando ser clara demais para interpretá-la, e ressaltou que continuava participando da produção.

Ontem, pouco antes de o Estadão publicar a reportagem, Taís coincidentemente postou uma foto com Joana no Instagram e no Twitter dizendo que haviam tido uma reunião. “Falamos muito sobre química, fórmulas, patentes e coisas que não entendo, mas fingi que sabia de tudo, só pra dizer que sou amiga de uma pessoa que fez pós-doutorado em Harvard”, dizia o texto da atriz. Após a reportagem do Estadão, Taís apagou o post.

Foto: Taís Araújo / Reprodução

Foto: Taís Araújo / Reprodução

Foto: Taís Araújo / Reprodução

Foto: Taís Araújo / Reprodução

 

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