MEC paralisa discussão de plano para formação do professor

Renata Cafardo

19 de fevereiro de 2019 | 12h47

O Ministério da Educação (MEC) pediu de volta o plano para reformular a formação do professor que já estava em fase de discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE). 

O projeto, chamado de Base Nacional Comum para Formação de Professores da Educação Básica, tinha sido apresentado em dezembro do ano passado nos últimos dias do governo de Michel Temer.

Já havia inclusive reuniões marcadas com especialistas em formação dos professores que iriam no mês que vem ao CNE para mostrar pesquisas sobre o tema.

A Base para formação previa, entre outras coisas, que os futuros professores tivessem, desde o primeiro semestre da faculdade, atividades práticas em escolas. Esse é considerado por especialistas um dos principiais problemas da carreira docente no Brasil.

O projeto também estabelecia que os professores fizessem uma prova de habilitação para docência ao final do curso, experiência que tem tido êxito em vários países para selecionar os melhores profissionais para a carreira.

O trâmite esperado seria o de CNE discutir o projeto, que depois deveria voltar ao MEC apenas para homologação.

Especialistas em educação ficaram surpresos ao saber da notícia, dada por conselheiros do CNE durante o seminário internacional Educação Já, realizado ontem e hoje pelo movimento Todos pela Educação.

“É natural que o novo governo queira entender melhor o projeto, mas me preocupa muito porque nós já estamos muito atrasados em políticas docentes em relação a outros países”, diz a diretora do Centro de Excelência e Inovação da FGV e ex-diretora do Banco Mundial Claudia Costin. Para a consultora em educação Mariza Abreu, que foi secretária de Educação do Rio Grande do Sul, o problema é que não se sabe agora quanto tempo vai demorar para se fazer uma nova política de formação docente, que é urgente.

Procurado, o MEC confirmou que pediu o documento. E informou, em nota, que a “atual gestão quer ter ciência e participar ativamente do processo de formulação da Base”. O texto diz ainda que “só depois da análise do documento – que foi entregue ao CNE pela gestão anterior no apagar das luzes – é que o MEC decidirá se fará ou não alterações.”

A secretária de educação Básica do MEC, Tania Leme de Almeida, esteve no evento pela manhã, mas não falou com a imprensa.

O Educação Já reuniu os principais atores da área no Brasil para indicar as prioridades das políticas públicas. Entre elas, está justamente a formação docente.

 

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