MEC esvaziado indica saída de Weintraub em 2020

MEC esvaziado indica saída de Weintraub em 2020

Principal assessora de ministro pediu exoneração nesta quinta; Weintraub sai de férias nesta sexta e fontes acreditam que não volte ao ministério

Renata Cafardo

12 de dezembro de 2019 | 09h44

Nomes importantes do Ministério da Educação (MEC) deixaram a pasta nos últimos dias numa indicação, segundo fontes, de que o ministro Abraham Weintraub vai sair do cargo. O próprio Weintraub inicia um período de férias nesta sexta-feira, 13, emendando com os recessos, e muitos acreditam que ele não volta em 2020 ao cargo de ministro de Educação. Na manhã desta quinta-feira, 12, a exoneração da sua principal assessora, a jornalista Priscila Costa e Silva, foi publicada no Diário Oficial da União.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do MEC, um dos órgãos mais importantes do MEC, Alexandre Lopes, também não está mais dando expediente desde a semana passada. Ele está sendo substituído em eventos e coletivas por Camilo Mussi, diretor de tratamento e disseminação de informações educacionais do Inep. As informações são de que Lopes também vai emendar férias e recesso de fim de ano.

Ministro Weintraub é malvisto na Economia (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Na semana passada, dois coordenadores da área de Alfabetização do MEC, Renan Sargiani e Josiane Toledo Silva, também deixaram o MEC. Sargiani era o principal cientista na pasta, com currículo elogiado e especializado na área. Segundo fontes, de perfil técnico, ele teve dificuldades em implementar projetos por disputas internas com alas mais burocráticas e ideológicas. Sargiani foi o responsável pela Política Nacional de Alfabetização, que até hoje não saiu do papel.

Segundo fontes, Weintraub é malvisto tanto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto pelo secretário-geral da Presidência, Jorge Antonio de Oliveira Francisco, que avaliam que suas polêmicas são desnecessárias e prejudicam o governo. Na Economia, reclama-se ainda do fato de ele pensar em projetos e sequer comunicar a área econômica, como o Future-se, que previa criação de fundos.

O ministro também não tem apoio de ninguém da área educacional e é conhecido entre reitores como “o ministro da educação que não gosta de educação”. Nesta quarta-feira, 11, em audiência na Câmara, disse mais uma vez que há plantações de maconha em universidades federais.

Na tarde desta quinta-feira, Weintraub disse em suas redes socias que “diante dos resultados positivos que começam a aparecer e de minha total intransigência com o errado e o malfeito, esquerda e monopolistas entram em desespero”. Ele ainda criticou a imprensa ao comentar que “a mídia podre espalha mentiras”. “O ladrar dos cães é a prova de que estou no caminho certo.”

Mais baixas

Outro que deve deixar a pasta é o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Anderson Correa. Ele se candidatou ao processo seletivo para reitor do Instituto Tecnológico de Aeronática (ITA) e foi o escolhido. A comunicação oficial será feita em janeiro.

Procurada, a agora ex-assessora de Abraham, que o acompanhou nesta quarta em audiência na Câmara, disse que o “tempo no MEC foi de muitos aprendizados e grandes realizações”.

“Agradeço a toda a minha equipe pelo empenho e dedicação nesse período que passamos juntos. Ao ministro, em especial, por ter sido um chefe maravilhoso que sempre me deu autonomia e acreditou no meu trabalho. Foi gratificante! Agora é hora de trilhar novos caminhos”, completou Priscila, cuja exoneração foi a pedido. Além de ter se tornado muito próxima do ministro, ela comandava a área de comunicação do MEC.

O Inep informou, em nota, que Alexandre Lopes está em férias entre 10 e 27 de dezembro. Ele assumiu o cargo em maio, depois de dois outros que foram demitidos. Segundo o Inep, o período de férias “é referente ao exercício de 2018, uma vez que Lopes é servidor público de carreira desde 1999”.  A nota ainda diz que o presidente do Inep “segue acompanhando os trabalhos do instituto, que permanecem em pleno andamento sob a gestão de seu substituto, Camilo Mussi”.

A conhecidos, Weintraub tem dito que sua família é ameaçada e que mulher e filhos vão se mudar para o Canadá. Atualmente, há dois oficiais armados dentro do gabinete do ministro.

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, também tem pedido nomes para substituir Weintraub no MEC a congressistas. Ele, no entanto, também negou ontem pelas redes sociais que tenha “descontentamento com o MEC”. Pela afinidade ideológica com o presidente, no entanto, há possibilidade de que ele continue no governo, em outro órgão. O ministro também pensa em se candidatar nas próximas eleições.

Esta semana, deputados aprovaram o relatório final da comissão especial da Câmara que analisou o MEC e identificou paralisia nas atividades. O texto tem 273 páginas e avalia o planejamento e a gestão do ministério como “muito aquém do esperado e insuficientes para dar conta dos desafios educacionais que se apresentam no País”. Um dos argumentos é que ainda não foi apresentado um Planejamento Estratégico para o ano de 2019, e diversas metas do Plano Nacional de Educação (PNE) estão atrasadas.

Durante a sessão de ontem na Câmara, o deputado federal Idilvan Alencar (PDT-CE) pediu que ele deixasse o cargo e disse que “nem o pessoal altamente mais drogado” acredita o ministro está fazendo “uma revolução na educação”, em referência a uma frase do próprio Weintraub. “Pelo contrário, sua função no MEC é meramente ideológica, para disseminar ódio, criticar as pessoas. O senhor não condição técnica para estar nesse cargo, não é respeitado por políticos, professor, estudante, reitores. Acho que o senhor deveria aproveitar esse Natal e pegar o beco”, completou o deputado, que foi secretário de Educação no Ceará. A expressão é usada no Ceará, segundo ele, para “ir embora”. O ministro disse que a colocação foi grosseira.

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