Ideia de deixar professores fora da reforma da Previdência ganha força no Congresso

Ideia de deixar professores fora da reforma da Previdência ganha força no Congresso

Renata Cafardo

05 de junho de 2019 | 18h54

Ganha força no Congresso Nacional a ideia de tirar os professores da reforma da Previdência, proposta pelo governo de Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira, uma moção de apoio à proposta foi aprovada por unanimidade na Comissão de Educação da Câmara, com votos a favor tanto de deputados como Zeca Dirceu (PT-PR) como Professora Dayane Pimentel (PSL-BA).

Segundo o texto enviado pelo governo ao Congresso Nacional, os professores perdem a aposentadoria especial e têm igualada a idade de pedir o benefício entre homens e mulheres. Atualmente, elas se aposentam aos 50 anos de idade (25 anos de contribuição) e eles aos 55 (30 anos de contribuição).

O autor da proposta é o deputado federal Professor Israel Batista (PV-DF), que já tinha 189 assinaturas para a emenda.

Segundo cálculos, deixar os professores de fora teria um impacto de apenas 1% na economia que seria feita com a reforma, cerca de R$ 12 bilhões em 10 anos.

Deputados entregam moção de apoio à retirada dos professores da Reforma da Previdência Foto: Edna Bulc

Pesquisas mostram que o Brasil é um dos países em que há menos valorização do professor. Metade dos Estados sequer respeita o piso salarial estipulado por lei, de R$ 2.455,35. A média entre os países desenvolvidos é de US$ 100 mil (cerca de R$ 391 mil) por ano, ou U$ 8 mil (R$ 31,2 mil) por mês, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Hoje, só 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse na profissão, também de acordo com a OCDE.

“Inclui-los nessa reforma só atesta a postura de descaso com a educação”, diz o deputado Israel. Ele lembra ainda que a aposentadoria especial atualmente é um dos poucos atrativos para a profissão.

No fim do dia, a moção de apoio foi entregue ao  relator da comissão especial da Reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP).