Escolas estaduais e particulares de SP poderão ser comparadas à Finlândia

Escolas estaduais e particulares de SP poderão ser comparadas à Finlândia

Renata Cafardo

12 de junho de 2019 | 05h00

Escolas estaduais e particulares de São Paulo vão poder ser comparadas com a Finlândia ou os Estados Unidos. O Estado vai anunciar amanhã que 300 escolas públicas participarão do Pisa for Schools, que será realizado pela primeira vez no Brasil este ano, com a mesma métrica e critérios do Pisa, a mais conhecida avaliação internacional de estudantes. Algumas instituições particulares, como o Colégio Bandeirantes, também devem fazer a prova.

Qualquer rede ou escola pode aderir ao exame, que será feito pela mesma entidade que avalia os países, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, será aplicado pela Fundação Cesgranrio, com a participarão de alunos de 15 anos que cursam o 1º ano do ensino médio.

O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, diz não se preocupar com resultados positivos ou negativos. O Brasil aparece sempre nas piores posições dos rankings do Pisa. Nas últimas avaliações nacionais, o ensino médio paulista piorou seu desempenho e ficou em quarto lugar, atrás de Estados como Goiás, Espírito Santo e Pernambuco.

“Não temos expectativa nem para uma nota acima nem abaixo da brasileira, mas sim aprender a usar o resultado. Vamos participar para fazer uma apreciação e ter uma referência efetiva de onde estamos”, disse Rossieli.

A adesão ao exame é paga, mas, segundo o secretário, os valores ainda serão negociados e a estimativa é de uma despesa de R$ 2 milhões. Rossieli ainda definirá se as escolas da rede estadual vão poder se voluntariar ou se será uma amostra representativa do grupo.

foto: Hélvio Romero/Estadão

Em 2017, a Fundação Lemann financiou um projeto piloto do exame em algumas escolas no País. Boa parte estava em Sobral, no Ceará, cidade considerada exemplo de educação pública brasileira. Os resultados mostraram que elas tinham notas em Leitura mais altas do que o Brasil e uma delas estava acima da média dos países membros da OCDE, que reúne as maiores economias do mundo.

Alunos da França e da Suécia, por exemplo, se saíram pior que os adolescentes de uma das escolas do município cearense. Já em Matemática e em Ciências, as escolas tiveram notas acima do Brasil, mas abaixo da média da OCDE.

A prova aplicada este ano será feita em computadores, em cada escola participante. Serão 141 perguntas de Leitura, Matemática e Ciências, com avaliações de habilidades socioemocionais, como resolução de problemas e pensamento crítico. Sobral também pretende aderir ao exame este ano.

“O Pisa for Schools é a avaliação mais próxima que temos da Base Nacional Comum Curricular”, diz Maria Helena Guimarães de Castro, que coordena a conferência sobre a avaliação no País e foi responsável por trazer o Pisa para o Brasil no início dos anos 2000, quando estava no Ministério da Educação (MEC).

Segundo ela, as atuais avaliações do País não contemplam o que pede a BNCC, aprovada em 2017. E o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está muito voltado ao conteúdo do vestibular, acredita. A maioria das escolas ainda está em etapa de formação dos professores para implantar as novas diretrizes curriculares.

Para Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirantes, que participou do piloto em 2017, a experiência permitiu ver a escola “dentro de um cenário global”. Cada participante recebe um extenso relatório sobre o seu desempenho. “Por exemplo, em Matemática, nosso desempenho foi excelente, comparável aos melhores do mundo, mas precisamos melhorar nas situações em os alunos enfrentam uma situação nova”, completou. Segundo Aguiar, o colégio vai aderir este ano ao Pisa for Schools.

A prova mundial do Pisa é realizada de três em três anos, desde 2000, em cerca de 70 países do mundo, com questões de Leitura, Matemática e Ciência. A última foi feita em 2018 e os resultados devem sair no fim deste ano.

O Brasil participa desde a primeira edição e aparece sempre entre as dez últimas colocações dos rankings internacionais. Finlândia, Estônia e Cingapura estão entre as primeiras da lista. Ao longo dos anos, a prova ganhou tamanha importância que seus resultados passaram a influenciar políticas públicas de educação no mundo todo.