São Paulo vai fechar escolas públicas e particulares a partir do dia 23

São Paulo vai fechar escolas públicas e particulares a partir do dia 23

USP, Unesp e Unicamp informaram que as aulas param na terça-feira. Na rede municipal, a medida inclui também as creches

Renata Cafardo

13 de março de 2020 | 18h29

As escolas públicas e particulares de São Paulo vão fechar por tempo indeterminado a partir do dia 23 por causa da pandemia do coronavírus. O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta sexta-feira um “suspensão gradual” das aulas, que começa na segunda-feira. Esse tempo, até o dia 23, deve ser usado para as instituições e famílias se prepararem.

As universidades públicas e privadas devem suspender já na segunda. USP, Unesp e Unicamp informaram que as aulas param na terça-feira. Na rede municipal, a medida inclui também as creches.

Inicialmente, a interrupção de aulas será tratada como um adiantamento das férias, segundo o governo. “Não sei se vai durar uma semana, duas semanas, 30 dias ou mais. Vamos avaliar dia a dia, até que as autoridades de Saúde digam que pode retomar as aulas”, disse ao Estado o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares.

Segundo ele, a escolas particulares são obrigadas a atender à recomendação do Estado até o dia 23 porque um decreto do governo federal determina que esse tipo de decisão, durante a epidemia de coronavírus, é de responsabilidade das autoridades de Saúde. Mas elas podem parar já na semana que vem, se preferirem. Na rede pública, não terão falta computada quem não fora às aulas a partir de segunda-feira.

O governador, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e os secretários de educação (estadual e municipal) de São Paulo finalizaram no início da noite uma reunião em que discutiram sobre o fechamento das escolas no Estado em virtude da pandemia do coronavírus.

Segundo o Estado adiantou, a ideia é a de não fazer um fechamento abrupto das escolas. No dia 23, no entanto, toda a rede pública e privada deve estar sem aulas.

O governo do Estado de São Paulo não pretendia cancelar as aulas ainda e pensava nessa possibilidade apenas daqui aproximadamente duas semanas, quando poderiam haver mais casos da doença.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Foto: Tiago Queiroz/ESTADÃO

No entanto, o Ministério da Saúde recomendou hoje que locais onde já existam transmissões comunitárias, ou seja, quando não é possível identificar nenhum vínculo da transmissão (como alguém que viajou para outro país, por exemplo), adiante as férias escolares. O documento diz que instituições de ensino planejem “a antecipação de férias, visando reduzir o prejuízo do calendário escolar ou uso de ferramentas de ensino a distância”.

Segundo Rossieli, a medida será gradual por “preocupação com a família” que precisa ter tempo para pensar com quem vai deixar a criança. “Experiências do dia para noite não têm sido positivas.” O secretário diz se preocupar com pais que pretendem deixar os filhos com avós, já que os idosos são grupo de risco para a doença. O governo deve divulgar na semana que vem um calendário com atividades à distância que poderão ser programadas para o período.

A rede estadual tem 3,5 milhões de alunos e rede municipal, outro 1 milhão. É a maior rede pública do Brasil. Nas escolas particulares paulistas, estão mais 2 milhões de crianças e jovens.

Não há casos de coronavírus na rede pública de educação paulista, mas alguns foram identificados nas escolas particulares. Algumas escolas, como Avenues e Global Me, já fecharam em virtude da doença.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: