Stockler aposta em educação midiática na guerra contra a desinformação

Stockler aposta em educação midiática na guerra contra a desinformação

Colégio Stockler

14 de abril de 2021 | 17h32

Colégio oferece disciplina de Jornalismo na grade regular e investe em competências essenciais para estudantes consumirem e produzirem conteúdo no meio digital

por Lara Silbiger

 

“Vulgar é o ler. Raro, o refletir”, já dizia Rui Barbosa na obra Oração aos Moços. Hoje, se pudesse testemunhar o excesso de conteúdo a que estamos expostos, o autor provavelmente diria que vulgar é o compartilhar, raro o ler, e escasso o refletir. E a razão é simples: não estamos dando conta de absorver e digerir toda a informação que nos atinge, seja pelos meios tradicionais ou digitais.Nessa avalanche de narrativas, há tanto notícias bem apuradas e análises completas quanto informações distorcidas, relatos parciais e fake news. Estas últimas têm 70% mais chances de viralizar que as verdadeiras, segundo estudo do MIT (Masachussetts Institute of Technology) publicado na revista Science em 2018.

 

Imune a fake news?

Reconhecer uma notícia falsa é um desafio para a maioria dos brasileiros. De acordo com o estudo “Iceberg digital”, desenvolvido pela Kaspersky (empresa global de cibersegurança) em parceria com a empresa de pesquisa CORPA,  62% da população não sabe identificar uma fake news.

“Entre os jovens, apesar de saberem o que é fake news, preocupa o fato de acharem que estão imunes a elas”, afirma a professora Paula Fazzio, que leciona Redação e Jornalismo para 1a e 2a séries do Ensino Médio no Colégio Stockler. “A produção de notícias falsas está cada vez mais profissionalizada, o que exige dos leitores do século XXI ainda mais responsabilidade ao consumir informação nos ambientes digitais.”

Não por acaso, a educação midiática é hoje peça-chave na formação de jovens cidadãos. No Stockler, ela dá corpo à disciplina de Jornalismo, que faz parte da grade regular do Colégio desde a sua fundação. Da galeria de professores que deram aulas da matéria, constam nomes como os dos jornalistas Rodrigo Ratier, antigo editor da revista Nova Escola e atualmente colunista do UOL,  Maurício Monteiro, documentarista premiado e Julián Fuks, vencedor dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom. Ivan Paganotti, doutor em comunicação social e um dos idealizadores do projeto “Vaza, Falsiane” de combate às fake News é,  atualmente, professor de Atualidades na 3a série do Ensino Médio.

 

Jornalismo na grade curricular

“Inicialmente, a disciplina de Jornalismo foi concebida como um caminho para que os alunos exercessem a cidadania estudantil, cobrindo pautas de seu interesse e outras ligadas à escola”, relembra Mariana Stockler, mantenedora do Colégio. Com o tempo, o foco principal passou a ser a leitura crítica de mídias, especialmente no Ensino Médio.

O que explica a mudança é o modo como as novas gerações passaram a relacionar com a informação. “A criação da disciplina, em 1998, foi uma inovação. Nela, já se discutiam temas como leitura de mídia e manipulação. Mas nada comparado à importância que adquiriu quando a juventude se viu completamente inserida no cenário informacional e passou a ficar conectada 100% do tempo e desde muito cedo”, completa Ana Paula Severiano, coordenadora de Jornalismo e Redação no Stockler.

Nesse contexto, o propósito do Jornalismo no Colégio é dar condições e instrumentos para que o estudante, ao se deparar com uma notícia ou informação, consiga desconstruir o que está por trás dela. “O olhar atento para esse aspecto da vida contemporânea é pré-requisito para a escola empreender o verdadeiro projeto de formação de cidadãos”, afirma Mariana. Ela ainda destaca o objetivo de incentivar a construção do repertório do aluno.

Já no Fundamental II, a ênfase da matéria recai sobre a produção textual de gêneros jornalísticos. “Dessa forma, proporcionamos o contato com os elementos formais que os compõem, fazendo os alunos refletirem sobre a diferença entre produzir uma notícia, um perfil ou um artigo de opinião”, diz a mantenedora.

 

Desconstrução na prática

A projeção de uma foto da invasão ao Capitólio, nos EUA, foi o pontapé dado pela professora Paula para convidar os estudantes a se debruçarem sobre os conceitos do Fotojornalismo, o enquadramento como recorte da realidade e o poder da imagem na transmissão da mensagem. Em paralelo, abriu também um debate sobre a crise da democracia no mundo.

“Já o episódio de racismo no Big Brother Brasil ensejou a discussão sobre a cultura do cancelamento e o racismo estrutural no país”, comenta  Ana Paula.

“Mais que ler e decodificar uma notícia, o estudante precisa aprender a diferenciar os tipos de conteúdo, interpretar informações e relacioná-las entre si e com conhecimentos prévios. É importante também que saiba se comportar nas mídias enquanto produtor e disseminador de conteúdos”, explica Paula.

Para isso, são trabalhados nas aulas de Jornalismo temas como o processo de produção midiática, a diferenciação entre conteúdos jornalístico, patrocinado e gerado por influenciadores, a importância da representatividade nas narrativas midiáticas, o discurso de ódio, as fake news e o cenário da desinformação. “Mostramos, ainda, que a boa informação tem muito valor. Dessa forma, vamos na contramão da banalização provocada pelo excesso de conteúdo”, ressalta Ana Paula.

 

Desenvolvimento de competências

Jogos, dinâmicas, cards, aulas expositivas e estudos de caso são recursos adotados na disciplina, que é dada desde o 6o ano do Fundamental até a 2a série do Ensino Médio e que incentiva o desenvolvimento de diversas competências-gerais da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Confira as principais:

• “Conhecimento”, para entender e explicar a realidade e colaborar com a sociedade;

• “Responsabilidade e cidadania”, para tomar decisões com princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e democráticos;

• “Argumentação”, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns com base em direitos humanos, consciência socioambiental, consumo responsável e ética;

• “Comunicação”, para expressar-se e partilhar informações, sentimentos, ideias, experiências e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo;

• “Cultura digital”, para comunicar-se, acessar e produzir informações e conhecimento, resolver problemas e exercer protagonismo de autoria; e

• “Repertório cultural”, que pressupõe fruir e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

 

 

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