Qual o papel do vínculo entre aluno e professor em tempos de ensino híbrido?

Qual o papel do vínculo entre aluno e professor em tempos de ensino híbrido?

Colégio Stockler

14 de maio de 2021 | 16h52

No Stockler, laços de confiança e apoio impactam positivamente a vida do estudante, com motivação e engajamento para o aprendizado

por Lara Silbiger

 

Após quase um ano de ensino remoto, as escolas reabriram suas portas com grandes desafios. Além de se adequar aos protocolos de segurança sanitária, professores e alunos tiveram de encarar a missão de recuperar o tempo vivido a distância para estabelecer ou fortalecer vínculos. Em comum, todos ansiavam pelos laços de confiança que os acompanhariam na jornada de ensino híbrido, que estava apenas começando.

Passado o primeiro impacto, o novo normal logo mostrou sua face. “Começamos a perceber como haviam acontecido ou não as construções de vínculos no ano anterior – especialmente, entre alunos novos”, comenta Stephanie Bürgi, orientadora educacional do Fundamental II no Colégio Stockler. “Notamos também a carência que os adolescentes tinham de estar juntos, se cumprimentar e conversar entre si e com os professores.”

Em uma cultura tão afetiva quanto a brasileira, relacionar-se sem o toque físico foi um dos primeiros obstáculos que as turmas precisaram vencer. “Tiveram de construir uma nova forma de socialização nos espaços da escola, bem como no ambiente virtual, que ainda permanece ativo”, explica Stephanie.

Aos poucos, porém, os alunos descobriram que o afeto também mora no sorriso, nas atitudes, no olhar e até em uma expressão mais séria. Para a orientadora educacional, a bagagem que os adolescentes acumularam durante o isolamento social foi um dos fatores que os ajudaram a diversificar as formas de criar vínculos.

A conscientização do porquê foram privados do contato físico foi igualmente fundamental nesse processo. Em prol do cuidado consigo e com o outro, professores e alunos desenvolveram espaços de diálogo e reflexão de como agir no novo normal.

“Quando encontram afeto e segurança, os alunos conseguem trazer à tona tanto suas alegrias quanto o que os incomoda, seja em termos acadêmicos ou socioemocionais, nos permitindo acolher suas preocupações e nomeá-las com eles. Dessa forma, estamos aprendendo juntos a não ter respostas para tudo e a lidar com a incerteza do amanhã”, explica Stephanie.

Na prática, o que está em cena – e também em ascensão – é o poder de escuta. “Ninguém ensina ou aprende bem quando não se sente visto, acolhido e ouvido”, declarou a psicóloga Juliana Hampshire, consultora pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida, em entrevista ao Porvir.

 

Relação entre vínculo e aprendizado

De acordo com um estudo da Universidade de Nova Iorque, intitulado “Os efeitos das relações professor-aluno: resultados sociais e acadêmicos de alunos de baixa renda nos Ensinos Fundamental e Médio”, estudantes que desenvolvem relacionamentos positivos com seus professores encontram neles a base segura a partir da qual podem explorar a sala de aula e o ambiente escolar para enfrentar novos desafios acadêmicos e se desenvolver no âmbito socioemocional.

Isso ocorre porque a construção do conhecimento tem como ponto de origem as relações sociais, impulsionada pela motivação de aprender algo relevante e passível de ser aplicado fora da sala de aula. “É nesse contexto que se dá a aprendizagem verdadeiramente significativa”, explica a orientadora educacional do Stockler.

Não resta dúvida de que as vivências presenciais, mesmo em forma de rodízio, favorecem a aproximação entre professores e alunos. Isso não quer dizer que é impossível promover o mesmo movimento no ambiente online. Apenas requer empenho adicional. “Nesses casos, eu diria que demanda o dobro de tempo para construir essas relações, além de mais esforço por parte do professor, já que ele precisa sempre retomar e reforçar o que foi trabalhado”, comentou a professora Rosiane Justino, coordenadora pedagógica na rede municipal de Joinville (SC), em entrevista ao Porvir.

 

O que diz a Neurociência 

“Quando sentimos reciprocidade de afeto, a tendência é nos abrir para receber as informações que o outro tem para nós”, diz Stephanie, que é pós-graduada em Neuropsicologia.

Não por acaso, as emoções exercem papel essencial no aprendizado. “Experiências associadas a emoções e reações ficam arquivadas no sistema límbico, que é o responsável por armazenar as memórias emocionais. E, justamente porque são intensas, são também mais fáceis de serem lembradas”, explica a orientadora educacional.

Mas o que a memória tem a ver com o aprendizado? Tudo. Afinal, ele está estreitamente vinculado às capacidades de atenção e memória.

 

No dia a dia do Stockler

A proximidade e os fortes laços entre professores e alunos são marca registrada do Stockler. Desde a fundação, o Colégio sempre privilegiou práticas e espaços de construção de vínculos. Durante a pandemia, não poderia ser diferente.

Para resgatar a capacidade de os alunos do Fundamental II conviverem presencialmente após um ano de ensino remoto, os professores Vitor Miranda, de Ciências, e Beatriz Torrano, de Ciências e Oficina Maker, investiram em momentos mão-na-massa.

São aulas que convidam as turmas a identificar problemas, registrar as próprias dúvidas, pesquisar respostas, prototipar soluções, testá-las, compartilhar saberes e solicitar a colaboração dos colegas para, ao final do processo, extrair o conhecimento teórico que explica os resultados obtidos.

“Em 2021, a aula Maker, oferecida ao nono ano, está focada no desenvolvimento de projetos pessoais,” conta Beatriz. “Começamos conversando e rabiscando juntos, o que foi essencial para que os alunos percebessem que eu estava aberta ao diálogo e que eles também precisariam exercitar essa abertura com os colegas.”

Em seguida, a professora conduziu uma reflexão sobre o lugar onde surgem as ideias e como tudo o que desejamos na vida pode ser visto sob a ótica de um projeto.

O segredo do sucesso, segundo Stephanie, está em lidar com o aluno com empatia e reciprocidade. “Só assim somos capazes de conhecer os interesses dele, conectá-los com o conteúdo e saber o momento certo de lançar novas propostas. Esse é o real significado de motivar, que passa por despertar no outro o desejo de aprender”, afirma Stephanie.

 

 

Colégio Stockler na Rede

 

       

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