Protagonismo sem modismo

Protagonismo sem modismo

Colégio Stockler

31 de março de 2021 | 14h43

No Colégio Stockler, ensino remoto consolida concepção de que o aluno deve estar no centro do processo de aprendizagem, sem perder de vista o rigor e os objetivos acadêmicos de cada etapa 

Por Lara Silbiger

 

Um dos grandes saltos propiciados pela adoção de ferramentas digitais no ensino remoto está ligado ao protagonismo do aluno no processo de ensino-aprendizagem.  Na prática, trata-se de estimular o estudante a abandonar a condição de sujeito passivo por meio de estratégias que contemplem projetos, pesquisas, experimentações, vivências e mão na massa.

“Os alunos estão sujeitos a diversos estímulos fora da escola, que invariavelmente são muito diferentes da aula tradicional. Cabe a nós, professores, nos aproximarmos das linguagens e ferramentas que os estimulam e colocá-los no centro da construção do conhecimento, como verdadeiros agentes desse processo”, explica Beatriz Torrano, professora de Biologia e coordenadora de projetos no Colégio Stockler.

 

Perguntas instigantes colocam aluno na rota do conhecimento

Para fomentar o protagonismo, Beatriz desenvolve projetos sobre temas que despertam grande interesse nos estudantes. O ponto de partida é a elaboração de perguntas que instiguem a curiosidade e norteiem a busca por respostas. Ela também investe na seleção de materiais de pesquisa que falem a língua dos adolescentes. “A ideia é que os alunos reúnam informações, dados e possíveis respostas que nos façam chegar, juntos, a um nível mais elevado de reflexão”, diz.

Para a 1ª série do Ensino Médio, Beatriz lançou o desafio de estudar a ação do novo coronavírus sobre as células. “A partir de questões sobre resposta imunitária, funcionamento das vacinas e formas de contágio, a turma desvendou mecanismos celulares e virais por trás da pandemia”, conta Beatriz.

 

Tecnologia permite o compartilhamento de descobertas e favorece o aprofundamento de conteúdos

Agora o próximo o passo são os seminários virtuais, que já começaram a ser construídos pelos alunos nas disciplinas de História e Biologia. Para esta última, cada dupla ou trio está pesquisando uma doença infecciosa e produzindo um vídeo curto para compartilhar com a turma. Em uma segunda rodada, os colegas apresentarão dúvidas, cujas respostas caberão aos grupos buscar na ciência. “A supervisão dos professores está presente ao longo de todo o processo, a fim de rever o que foi trabalhado, aparar eventuais arestas e avançar na discussão do conhecimento que os alunos trouxeram”, explica a professora.

 

Aprendizagem criativa: alunos do Ensino Fundamental aprendem a desenvolver projetos por meio de dinâmicas mão-na-massa

Já com o 9º ano do Fundamental, a aula Maker foi o espaço escolhido em 2021 para se trabalhar a capacidade de desenvolvimento de projetos.  “O ponto de partida é um problema que os estudantes identificam no entorno, ou a paixão que nutrem por algum tema”, esclarece Beatriz.

No primeiro trimestre, o desafio dos alunos será conhecer o método e as etapas necessárias para viabilizar a solução de um problema. Para isso, o Colégio Stockler produziu e enviou aos estudantes kits individuais de construção, com materiais versáteis, como bolinhas de gude e de ping-pong, arame, massinha, clipes, entre outros. O desafio: construir seus próprios piões.

Ao realizar a atividade, os jovens percorrerão as fases de desenvolvimento da ideia, pesquisa, protótipos, testes, identificação de falhas e busca de colaboração até chegarem ao produto final. “Lidar com o fracasso faz parte desse processo e também da construção do sucesso”, afirma a professora.

 

Autonomia: a conquista da liberdade de estudar como ingrediente do protagonismo

De acordo com a Unesco, aprender a conhecer está entre as competências fundamentais para os cidadãos do século XXI. Não por acaso, no Stockler, a autonomia é entendida como uma competência que deve ser estimulada ao longo de toda a vida escolar, ainda mais em tempos de ensino remoto.

“Em casa, o aluno passou a depender bastante de si para organizar uma rotina de estudos”, analisa Kátia Ritzmann, orientadora pedagógica de 1ª e 2ª séries no Colégio. “A mudança exigiu atenção das equipes de orientação, da direção e dos professores da escola, uma vez que cada aluno constrói um percurso diferente na conquista da liberdade de estudar.”

Um exemplo emblemático de ganho de autonomia desencadeado pelo ensino remoto foi a criação, em 2020, do projeto Roda de Conversa, pela turma da 2ª série do Ensino Médio. “Eles elegiam os temas, convidavam os professores, faziam pesquisas prévias e disponibilizavam materiais para que os demais participantes dos encontros pudessem se inteirar mais sobre o assunto”, conta Kátia. Entre os temas discutidos, estiveram a história das pandemias e a cultura do cancelamento.

João Fantin, um dos alunos idealizadores, revela como surgiu a ideia e quais eram os objetivos desses encontros: “Pareceu promissor e interessante o projeto de formar um grupo de discussões entre estudantes e professores, para compartilhar conhecimentos e aprendizados sobre temas diversos. A premissa do projeto era construir relações valiosas e duradouras com os professores, como ocorria durante as aulas presenciais”. Fantin acredita que os eventos devem continuar mesmo depois do retorno das atividades no ambiente do Colégio, porque contribuem para o desenvolvimento da argumentação oral.

 

 

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