Lições da pandemia

Lições da pandemia

Colégio Stockler

26 de abril de 2021 | 15h52

Confira quatro aprendizados que permanecerão no Stockler mesmo quando tudo isso passar

Apesar das inúmeras incertezas que nos acompanham desde que a pandemia começou, algumas certezas já acenam no horizonte. Entre elas, estão os aprendizados que tiramos desse período e que permanecerão no Colégio Stockler mesmo quando a ameaça do novo coronavírus for superada.
“Ninguém sairá igual dessa pandemia. Todos vivenciaram e ainda vivenciam, de forma intensa, uma série de aprendizados muito particulares”, avalia Kátia Ritzmann, orientadora pedagógica de 1ª e 2ª séries do Ensino Médio.

A seguir, confira as lições de criatividade, resiliência, identidade, troca de experiências e cultura digital que estudantes e equipe pedagógica da escola levarão desse período que mudou tudo e, ao mesmo tempo, abriu novas possibilidades para a Educação.

 

1. Aliada à criatividade, tecnologia proporciona resultados surpreendentes

Em um primeiro momento, o ensino a distância foi um choque para todos. “Afinal, os professores sabiam que a preservação do processo de ensino-aprendizagem exigia muito mais do que a simples migração das atividades para o ambiente virtual”, relembra Mariana Stockler, mantenedora do Stockler.
Uma das soluções adotadas pelo Colégio foram as formações mediadas pela consultoria Redesenho Educacional, que ajudou os docentes a encontrar seus próprios caminhos em meio a uma grande oferta de ferramentas pedagógicas digitais.

“Houve cooperação, uma tentativa de fazer dar certo”, avalia o professor de Língua Portuguesa e Jornalismo Vicente Castro, que vê nas ferramentas digitais a possibilidade de explorar diversos métodos de ensino e incentivar momentos criativos.

Um exemplo emblemático foi o projeto Marés, protagonizado pela 2a série do Ensino Médio. Os alunos, que devido à quarentena não puderam viajar para Paraty, onde explorariam in loco múltiplas linguagens artísticas, foram convidados pelo professor Vicente e pela arte-educadora Carol Rahal a embarcarem em uma nova proposta.

No ambiente virtual, a turma foi desafiada a ressignificar a experiência do isolamento social por meio de uma ampla imersão nas múltiplas linguagens do processo artístico, unindo o desenvolvimento de habilidades criativas à apropriação de recursos tecnológicos.

“Como resultado, os estudantes manejaram as novas tecnologias de modo espontâneo, trabalhando com os gêneros discursivos que operam não só no cruzamento de várias linguagens como também no uso em si de tecnologias digitais – por exemplo para edição de texto e observação do processo criativo”, explica Vicente.

 

2. Adversidade promove desenvolvimento de habilidades socioemocionais

“Entre os aprendizados da pandemia, está o entendimento de que há situações que fogem ao nosso controle – independente de quanto nos esforcemos para mudá-las. Por outro lado, podemos escolher como reagir diante daquilo que o mundo nos impõe”, diz Kátia. Segundo ela, o momento tem sido propício para o desenvolvimento de resiliência, autonomia e capacidade de se adaptar às adversidades.

Já a psicóloga Maria José Gimenes, orientadora educacional e profissional da 3ª série do Ensino Médio no Stockler, observa o avanço do autoconhecimento e da empatia. Ambos compõem a lista das dez competências gerais que a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) definiu como essências para a vida no século 21.

 

3. Metodologias ativas vieram para ficar

“Mais do que nunca, estamos diante de um período de atitude, e não de passividade”, afirma Beatriz Torrano, professora de Biologia no Ensino Médio e responsável pelo suporte técnico do ambiente virtual de aprendizagem do Stockler.

Não por acaso, o professor de Biologia Ismael Andrade garante que as metodologias ativas – entre elas, a gamificação – vieram para ficar. Esta última consiste em aplicar na Educação procedimentos e mecânicas comuns aos ambientes de jogos, a fim de engajar os alunos no ensino-aprendizagem, movidos pela curiosidade e por uma dinâmica com desafios e recompensas.

Além disso, iniciativas criadas pelos próprios alunos também evidenciam o protagonismo que vêm assumindo. É o caso do projeto “2ª série convida”, em que estudantes da 2ª série do Ensino Médio organizaram bate-papos ao vivo com professores para discutir temas que não faziam parte do conteúdo programático. “Foram os próprios adolescentes que selecionaram os temas, os convidados e os textos científicos que alimentaram os debates, que aconteciam sempre às quintas-feiras, com câmeras e microfones abertos”, conta Kátia.

Nesse contexto de mudanças, a diretora pedagógica Josely Magri ressalta: “Independentemente do ensino presencial, a importância da relação com as ferramentas digitais e a possibilidade de otimização dos encontros virtuais promoverão uma metodologia ainda mais ativa no ambiente escolar”.

 

4. Contato – ainda que virtual – faz toda a diferença
Outra lição foi a importância dos momentos para se compartilhar ideias, sugestões, angústias e superações durante o ensino virtual. “Um dos principais fatores que motivaram a escola a oferecer todas as aulas em modo síncrono foi a demanda dos alunos por mais momentos de interação direta com professores e colegas”, explica Julia Stockler, mantenedora do Colégio.

“Nós mantivemos o contato humano, e isso é o primordial. Temos de lembrar que a aprendizagem se dá com o outro, o que acontece mesmo que seja por meio de uma aula ou reunião no Google Meet”, afirma a professora de Língua Portuguesa Márcia Pelachin.

Em outubro do ano passado, por exemplo, os alunos e a comunidade escolar participaram de uma conversa on-line com sobreviventes do ataque nuclear em Hiroshima. Além de ouvir relatos sobre aspectos pouco conhecidos desse triste marco na história da humanidade, puderam discutir sobre a importância da preservação da memória e das narrativas testemunhais.

Trocas como essas são essenciais até mesmo para a construção de um olhar mais positivo acerca do futuro. “Santo Agostinho, filósofo, tem uma definição sobre o verbo ‘esperar’: acreditar no amor, ter confiança nas pessoas e dar um salto no incerto. Foi isso que nós fizemos enquanto professores. Acreditamos na relação com os alunos e com as famílias. Isso resultou em confiança, apesar do incerto que vivemos”, comenta o professor de Filosofia Mauro Trivelatto.

 

 

Colégio Stockler na Rede

 

       

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