AVALIAÇÕES NA QUARENTENA | Como a escola vai avaliar o aprendizado do meu filho no atual contexto de ensino à distância?

AVALIAÇÕES NA QUARENTENA | Como a escola vai avaliar o aprendizado do meu filho no atual contexto de ensino à distância?

Colégio Stockler

12 de maio de 2020 | 17h51

Por Lara Silbiger 

 

Passados quase dois meses do início da quarentena, alguns questionamentos ganham fôlego entre pais e estudantes. Quando voltam as aulas? Haverá provas online? Como ficam as notas no meio disso tudo?

A verdade é que ainda não há respostas para todas essas dúvidas. De uma hora para outra, os colégios precisaram embarcar na transformação digital e adotar o ensino à distância, tendo que se reinventar e ressignificar algumas de suas práticas.

É o caso da prova, tradicionalmente usada no ensino presencial para medir quantitativamente uma competência desenvolvida ao final de um ciclo. “Ela, porém, é apenas uma das ferramentas de verificação da aprendizagem, o que fica ainda mais evidente no atual contexto do ensino à distância, quando os professores passam a usar outros recursos para avaliar o aluno e checar se os objetivos do planejamento estão sendo atingidos”, afirma Maria José Gimenes, orientadora educacional da 3ª série do Ensino Médio no Colégio Stockler.

O peso atribuído às notas – tão perseguidas pelos alunos – também vem ganhando novos contornos. “Não se trata de desqualificar a nota no boletim. Mas de ajudar o estudante a entender que o foco agora está na validação qualitativa do processo de aprendizagem, que diversificou ferramentas e incorporou atividades como experimentos domésticos de ciências, gravações de leituras e de arguições sobre diferentes temas realizadas por meio de videoconferência”, explica a psicopedagoga Alessandra Bronze, orientadora educacional do Ensino Fundamental II no Stockler.

 

De olho nas competências

Mudar a chave da estratégia de avaliação, permitindo que os alunos produzam mais, se posicionem, desenvolvam a criatividade, resolvam problemas e trabalhem em equipe, requer do professor um olhar que vá além do conteúdo.

“Seria interessante que o docente avaliasse os alunos sob o ponto de vista das competências que estão sendo desenvolvidas neste momento de pandemia”, sugere Simone André, psicanalista e especialista em Educação. Simone, que já foi gerente-executiva do Instituto Ayrton Senna e membro da Cátedra Unesco em Educação e Desenvolvimento, atua hoje como consultora e tem acompanhado de perto as intensas transformações pelas quais estão passando as instituições de ensino, catalisadas pela migração para o ambiente virtual e os desafios inerentes à educação a distância.

Simone André ainda destaca a importância de se valorizar atividades de avaliação que tenham um viés formativo. “Elas, por si só, ajudam o aluno a aprender novas formas de aprender, identificar o que ainda não entendeu, aprender com o erro e até mesmo avaliar as questões formuladas pelo professor”, comenta. Como exemplos, cita as provas com consulta e a correção conjunta de provas.

Por outro lado, Simone é enfática ao afirmar que sistemas de avaliação voltados, exclusivamente, para o controle do aprendizado baseado na ideia de recompensa-punição, empobrecem o sentido da educação. “Tirar nota e progredir de ano já não são diferenciais no mundo do trabalho. O que realmente contará para os nossos filhos são as competências que terão desenvolvido.”

Entre elas, destaca-se a autonomia para estudar, sem que a nota seja o objetivo final. “Isso ainda é um desafio para a maioria dos alunos, que relata falta motivação para estudar quando não há avaliações previstas”, comenta Maria José.

Segundo ela, os pais podem contribuir para mudar essa perspectiva ao apoiar os jovens na construção de um projeto de vida. “Os alunos precisam disso para entender quanto o estudo e o conhecimento poderão ajudá-los na vida toda – do contrário, tudo lhes parecerá inútil.”

Ela ainda afirma que o fato de os estudantes passarem pela avaliação qualitativa de sua aprendizagem, neste momento de ensino à distância, é uma forma não só de ajudá-los a tomar consciência da realidade e combater a tendência à   vitimização, como de reunir forças para seguir em frente e – assim como a própria escola – se reinventar frente às adversidades.

 

 

Colégio Stockler na Rede

       

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: