APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Em meio à pandemia do Covid-19, como incentivar meu filho a fazer planos para o futuro?

APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Em meio à pandemia do Covid-19, como incentivar meu filho a fazer planos para o futuro?

Colégio Stockler

29 de abril de 2020 | 13h58

Apesar do estado de emergência de saúde pública mundial e da sensação de que tudo ficou em suspenso na quarentena, a vida – de uma forma ou outra – segue seu rumo. É inegável, porém, que nossa rotina virou de cabeça para baixo, hipotecando sonhos e planejamentos.

Não foi diferente entre os jovens – muitos dos quais estão prestes a escolher uma carreira e prestar vestibular. “A pandemia gerou uma onda de incertezas e preocupações e provocou mudanças significativas nos planos de curto e médio prazos”, comenta a psicóloga Maria José Gimenes, orientadora educacional e profissional da 3ª série do Ensino Médio no Colégio Stockler. Entre as razões, está o aumento do medo de fracassar, a ansiedade, o desânimo e a procrastinação.

Mas o fato é que, cedo ou tarde, tudo isso vai passar e restará apenas a pergunta: o que fiz da minha vida durante todos este período de quarentena?

A resposta estará diretamente ligada à forma como escolhemos lidar com os desafios. “Largará com vantagem o estudante que optar por agir com ainda mais determinação, empenho e otimismo frente às provas e processos seletivos que estão por vir”, garante Maria José. Segundo ela, o sucesso no vestibular demanda, antes de tudo, um bom projeto de vida.

 

Mas, afinal, como se constrói um projeto de vida em plena quarentena?

“A visão destemida do futuro é o primeiro passo na construção do projeto de vida”, afirma o pedagogo e relator do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), Antonio Carlos Gomes da Costa. No artigo intitulado ‘Da Heteronomia à Autonomia’, ele explica que, antes mesmo que o projeto de vida do jovem se delineie, é necessário que surja um desejo profundo em relação ao futuro.

Num primeiro momento, trata-se apenas de um sentimento, “um querer-ser que ainda não passou pelo crivo da razão”. Só quando este alcança o campo da racionalidade é que se transforma em um projeto de vida. Em outras palavras, vira “um sonho com degraus, um trajeto com etapas que devem ser vencidas para se atingir o fim almejado”.

Gomes da Costa ainda destaca que o projeto frequentemente se transforma numa visão de futuro, “numa espécie de memória de coisas que ainda não aconteceram, mas que, se assumidas com determinação e esforço, podem tornar-se realidade”.

É, então, que a vida do jovem ganha um novo sentido. “Tudo que nos encaminha na direção do nosso projeto de vida agrega valor à nossa existência. Por outro lado, tudo que nos detém, nos desvia ou nos faz retroagir é visto e sentido como uma agressão ao nosso ser.”

É por isso que, durante a quarentena, a escola e os pais não devem interromper as iniciativas que favoreçam a construção do projeto de vida dos estudantes. “Sonhar o futuro é fundamental para fazer boas escolhas no presente, e alimentar a esperança de que a vida voltará ao normal”, afirma Katia Ritzamnn, orientadora educacional de 1ª e 2ª séries do Ensino Médio no Colégio Stockler.

 

Qual deve ser o papel das famílias nesse processo?

“O primeiro passo é incentivar os filhos a se conhecerem melhor,” recomenda Maria José. “A identificação de gostos, interesses e habilidades facilita a descoberta das áreas profissionais que melhor correspondem ao perfil do jovem.” Outra recomendação importante é dar liberdade para que ele explore o próprio caminho e tome suas próprias decisões. “Se responsabilizar por elas, se arrepender, voltar atrás e fazer de novo não é perder tempo. Ao contrário, é vivenciar situações que ampliem a autonomia, a trajetória de vida e o repertório do aluno”, comenta Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação, em entrevista concedida à revista Educatrix. Por fim, lembre-se: o ato de escolher e traçar planos é, em si, um grande aprendizado.

 

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